O diabetes tipo 2 já não é uma condição restrita aos adultos. Crianças e adolescentes também podem desenvolver a doença, especialmente quando existem fatores como excesso de peso, histórico familiar e sedentarismo. Dados brasileiros confirmam que o problema está presente nessa faixa etária e vem recebendo atenção crescente, mas as fontes nacionais disponíveis não sustentam com segurança a afirmação de que os casos tenham exatamente dobrado no Brasil na última década.
Por que o diabetes tipo 2 está aparecendo mais cedo?
O diabetes tipo 2 acontece quando o organismo passa a responder pior à ação da insulina e, com o tempo, pode não conseguir manter a glicose no sangue em níveis adequados. Embora seja muito mais frequente em adultos, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) alerta que a doença vem sendo identificada com maior frequência em crianças e adolescentes.
A Sociedade Brasileira de Diabetes destaca o crescimento do diabetes tipo 2 entre crianças e adolescentes e aponta a obesidade e o sedentarismo entre os fatores que ajudam a explicar essa mudança. A puberdade também é um período de maior resistência fisiológica à insulina, o que pode favorecer o aparecimento da doença em jovens já predispostos.
Qual é a dimensão do problema entre adolescentes brasileiros?
Um dos principais levantamentos nacionais sobre o tema foi o estudo ERICA, que avaliou 37.854 adolescentes brasileiros entre 12 e 17 anos. Segundo a Diretriz da SBD, a prevalência estimada de diabetes tipo 2 nesse grupo foi de 3,3%, enquanto 22% apresentaram pré-diabetes. A própria entidade ressalta que esses números precisam ser interpretados com cautela e que mais estudos são necessários para dimensionar a doença no país.
Por isso, é importante diferenciar duas informações: existem evidências de crescimento do diabetes tipo 2 em jovens e há números preocupantes no Brasil, mas não há, nas fontes oficiais consultadas, uma série nacional comparável demonstrando que os casos tenham exatamente dobrado em dez anos. Em escala global, a SBD cita dados indicando crescimento expressivo da doença em adolescentes e adultos jovens nas últimas décadas.

Qual é a relação entre obesidade infantil e diabetes?
O excesso de gordura corporal, principalmente quando acompanhado de alterações metabólicas, pode aumentar a resistência à insulina. Segundo a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, cerca de 70% a 90% das crianças e adolescentes diagnosticados com diabetes tipo 2 apresentam obesidade, e os adolescentes brasileiros com obesidade avaliados no estudo ERICA tiveram maior chance de apresentar a doença.
O Ministério da Saúde também reconhece a obesidade como fator de risco para diabetes tipo 2. Em boletim epidemiológico sobre obesidade, a pasta registrou que 7,8% dos escolares brasileiros de 13 a 17 anos apresentavam obesidade em 2015. O problema não depende apenas de escolhas individuais e envolve alimentação, ambiente familiar, condições sociais, sono, acesso a espaços para atividade física e outros fatores.
O sedentarismo também aumenta o risco?
Sim. A prática insuficiente de atividade física pode favorecer ganho de peso e piorar a sensibilidade à insulina. Quando sedentarismo, excesso de peso e histórico familiar aparecem juntos, o risco de alterações da glicose pode ser maior. Isso não significa que todo adolescente sedentário desenvolverá diabetes.
Entre os fatores que levam os médicos a considerar rastreamento para diabetes tipo 2 em jovens estão:
- sobrepeso ou obesidade;
- idade a partir de 10 anos ou início da puberdade;
- histórico familiar de diabetes tipo 2;
- pressão alta ou alterações do colesterol e triglicerídeos;
- acantose nigricans, caracterizada pelo escurecimento e espessamento de algumas áreas da pele;
- síndrome dos ovários policísticos em adolescentes.
A SBD recomenda que crianças e adolescentes com sobrepeso ou obesidade e fatores adicionais de risco sejam avaliados para diabetes tipo 2. Veja também quais são os principais sintomas, fatores de risco e formas de tratamento do diabetes tipo 2.

Como reduzir o risco desde a adolescência?
A prevenção passa por hábitos que possam ser mantidos no longo prazo, como alimentação equilibrada, atividade física regular, redução do tempo sedentário e acompanhamento do crescimento e do peso. Em jovens que já apresentam obesidade, pré-diabetes ou outros fatores de risco, a abordagem deve ser individualizada e envolver a família, sem dietas restritivas ou tentativas de emagrecimento sem orientação.
O diabetes tipo 2 em jovens merece atenção porque pode evoluir de forma agressiva e levar a complicações ainda na vida adulta jovem. Quanto mais cedo fatores de risco e alterações da glicose forem identificados, maiores são as possibilidades de acompanhamento e controle adequados.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Crianças e adolescentes com excesso de peso, forte histórico familiar de diabetes ou alterações em exames de glicose devem ser avaliados pelo pediatra ou endocrinologista.









