Dor e rigidez nas articulações podem se tornar mais frequentes durante a transição para a menopausa e não devem ser atribuídas automaticamente apenas ao envelhecimento. A queda e a oscilação do estrogênio parecem participar de mudanças nos músculos, ossos e tecidos articulares, enquanto perda de força, sedentarismo, sono ruim e doenças reumatológicas também podem contribuir. Por isso, identificar a causa da dor é importante antes de definir o tratamento.
Por que as articulações podem doer mais na menopausa?
O estrogênio atua em diferentes tecidos musculoesqueléticos e participa de processos relacionados à manutenção dos músculos, ossos e articulações. Durante a perimenopausa e após a menopausa, a diminuição desse hormônio pode influenciar mecanismos ligados à percepção da dor e à resposta inflamatória, mas essa relação é complexa e ainda não explica sozinha todos os sintomas.
Uma revisão publicada no The Lancet Rheumatology descreve evidências crescentes de que mudanças nos hormônios sexuais estão relacionadas à dor musculoesquelética e possivelmente à osteoartrite. Os pesquisadores ressaltam, porém, que ainda há incertezas sobre quanto a reposição hormonal poderia modificar esses problemas especificamente.
A dor pode ser apenas consequência da idade?
Não necessariamente. Idade, peso corporal, histórico de lesões, doenças reumáticas, nível de atividade física, qualidade do sono e alterações hormonais podem atuar ao mesmo tempo. Uma revisão sistemática publicada em 2026, envolvendo mais de 93 mil mulheres, encontrou maior frequência de dores musculares ou articulares durante a perimenopausa e pós-menopausa em comparação com a fase anterior à menopausa.
Como os estudos incluídos eram principalmente observacionais, o resultado mostra associação e não permite afirmar que a queda do estrogênio seja a única causa. Além disso, dores persistentes podem estar relacionadas a condições como osteoartrite, artrites inflamatórias, tendinites e outros problemas que precisam de avaliação específica.

O que os músculos têm a ver com a dor nas articulações?
Os músculos ajudam a estabilizar e proteger as articulações. Quando ocorre perda de força ou massa muscular, determinadas articulações podem receber mais carga durante tarefas simples, como subir escadas, caminhar ou levantar de uma cadeira. Essa mudança pode contribuir para dor e redução da mobilidade.
Alguns fatores comuns nessa fase também podem favorecer a perda de condicionamento, como menor atividade física e aumento do tempo sedentário. A Sociedade Brasileira de Reumatologia destaca que o fortalecimento muscular e os exercícios fazem parte do tratamento da osteoartrite, melhorando o desempenho das articulações e a capacidade funcional.
Por que atividade física orientada faz tanta diferença?
Evitar movimentos por medo da dor pode iniciar um ciclo em que a musculatura fica ainda mais fraca e as atividades cotidianas se tornam progressivamente mais difíceis. Quando não há contraindicação, exercícios adequados ajudam a preservar força, mobilidade, equilíbrio e função articular.
A escolha da atividade depende dos sintomas e das condições de saúde de cada mulher. Entre as estratégias que podem fazer parte de um programa orientado estão:
- exercícios de fortalecimento muscular;
- caminhadas e outras atividades aeróbicas adaptadas;
- exercícios de mobilidade e flexibilidade;
- atividades para melhorar equilíbrio e coordenação;
- progressão gradual de intensidade e duração.
Uma revisão de 2024 que reuniu 17 revisões sistemáticas e quase 9 mil participantes encontrou possíveis benefícios de algumas formas de exercício sobre sintomas físicos da menopausa, embora a evidência ainda não permita apontar uma única modalidade como superior para todas as mulheres.

Quando a dor precisa de investigação médica?
Dor articular recorrente ou persistente durante a menopausa não deve ser considerada automaticamente uma consequência hormonal. É importante buscar avaliação principalmente quando há inchaço, calor na articulação, rigidez prolongada pela manhã, perda importante de força, limitação para atividades habituais ou piora progressiva dos sintomas.
A decisão sobre tratamento hormonal também não deve ser tomada apenas para tratar dores articulares. Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2026 encontrou resultados inconsistentes sobre o efeito da terapia hormonal na dor musculoesquelética, reforçando que ela não deve ser iniciada especificamente para esse objetivo sem uma avaliação individualizada. Ginecologista, reumatologista, endocrinologista e profissionais de exercício ou fisioterapia podem participar do cuidado conforme a causa identificada.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico. Dor articular persistente, inchaço ou perda de função devem ser investigados para diferenciar alterações relacionadas à menopausa de doenças musculoesqueléticas que exigem tratamento específico.








