Sim. Roer as unhas repetidamente, comportamento conhecido como onicofagia, pode provocar alterações que vão além da aparência das mãos. O hábito pode machucar a pele e as unhas, aumentar a sobrecarga sobre dentes e gengivas e, em algumas pessoas, estar relacionado a momentos de ansiedade, estresse ou tensão emocional. Também existe preocupação com a entrada de microrganismos presentes nas mãos e sob as unhas na boca, embora isso não signifique que quem rói as unhas necessariamente terá uma infecção gastrointestinal.
O que pode acontecer com os dentes e a boca?
Os dentes são submetidos repetidamente à força necessária para cortar a unha. Quando isso acontece com frequência e por longos períodos, podem surgir pequenos desgastes, lascas ou alterações na superfície dos dentes. A pele ao redor das unhas também pode ficar lesionada, facilitando inflamações locais.
Uma revisão científica sobre onicofagia destaca que o comportamento pode causar complicações tanto nas unhas quanto na cavidade oral. Outros trabalhos odontológicos descrevem desgaste dentário, inflamação das gengivas e alterações relacionadas ao esforço repetitivo como possíveis consequências. Por isso, dentistas podem perceber sinais do hábito durante uma avaliação de rotina.
Roer as unhas pode causar problemas no estômago?
As mãos entram em contato continuamente com superfícies, objetos e microrganismos. Ao levar os dedos à boca repetidas vezes, a pessoa também aumenta a oportunidade de transportar esses agentes para a cavidade oral e eventualmente engoli-los. Isso explica por que a higiene das mãos e das unhas merece atenção especial em quem mantém o hábito.
No entanto, não é correto afirmar que roer as unhas causa diretamente problemas gastrointestinais em todas as pessoas. A relação depende do microrganismo presente, da exposição e de fatores individuais. O impacto mais bem documentado da onicofagia está nas próprias unhas, na pele ao redor e na saúde bucal.

Por que algumas pessoas roem as unhas sem perceber?
A onicofagia pode ocorrer de maneira automática durante situações de concentração, tédio, expectativa ou tensão. Em outros casos, o comportamento funciona como uma forma momentânea de aliviar desconforto emocional. Isso não significa que toda pessoa que rói as unhas tenha um transtorno de ansiedade ou outro problema psiquiátrico.
Uma revisão sobre diagnóstico e manejo da onicofagia classifica o hábito entre os comportamentos repetitivos focados no corpo e destaca que fatores emocionais e condições psiquiátricas podem coexistir em algumas pessoas. Por isso, a frequência, a dificuldade de controlar o impulso e o impacto na rotina são mais importantes do que simplesmente observar se alguém rói ou não as unhas.
Quando o hábito merece mais atenção?
Nem sempre é necessário transformar um comportamento ocasional em um problema. Vale procurar avaliação quando a onicofagia passa a causar consequências físicas ou emocionais, como:
- feridas frequentes ou sangramento ao redor das unhas;
- infecções, dor ou inchaço nos dedos;
- dentes lascados, sensíveis ou desgastados;
- dor na mandíbula ou desconforto ao mastigar;
- dificuldade persistente para controlar o comportamento;
- vergonha, sofrimento ou prejuízo nas atividades sociais;
- aumento do hábito em períodos de ansiedade ou estresse intenso.
Quando ansiedade ou tensão aparecem com frequência, também pode ser útil conhecer as opções de tratamento para ansiedade, que podem envolver acompanhamento psicológico e, quando indicado, avaliação médica.

O que pode ajudar a diminuir a vontade de roer as unhas?
O primeiro passo costuma ser identificar em quais situações o comportamento aparece. Algumas pessoas percebem que roem mais as unhas enquanto trabalham, estudam, assistem televisão ou enfrentam períodos de maior tensão. Manter as unhas cuidadas e evitar peles soltas ao redor dos dedos também pode reduzir estímulos que desencadeiam o hábito.
Quando a onicofagia é persistente, provoca lesões ou parece difícil de controlar, uma abordagem conjunta pode ser mais útil. O dentista pode avaliar consequências na boca e nos dentes, enquanto psicólogo ou psiquiatra pode investigar os fatores emocionais associados sem julgamento. O objetivo não é simplesmente mandar a pessoa “parar de roer”, mas compreender o que mantém o comportamento e reduzir seus prejuízos.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica, odontológica ou psicológica. Feridas recorrentes, sinais de infecção, danos aos dentes ou sofrimento emocional relacionado ao hábito devem ser avaliados por um profissional de saúde.








