O magnésio ganhou espaço nas redes sociais associado a promessas de melhorar sono, ansiedade, cansaço, dores musculares e até metabolismo. Mas nem todo mundo precisa suplementar o mineral. O benefício é mais claro quando existe deficiência ou uma indicação específica, enquanto o uso indiscriminado pode causar efeitos adversos, interagir com medicamentos e representar risco maior para quem tem problemas renais.
Para que o magnésio realmente serve no organismo?
O magnésio é um mineral essencial envolvido em centenas de reações do corpo, incluindo produção de energia, funcionamento dos nervos, contração muscular, controle da glicose e manutenção dos ossos. Ele pode ser obtido naturalmente em alimentos como sementes, castanhas, leguminosas, folhas verdes e cereais integrais.
Uma revisão abrangente de estudos sobre magnésio e diferentes desfechos de saúde mostrou que existem resultados favoráveis para algumas condições, mas a força da evidência varia bastante conforme o objetivo. Isso ajuda a explicar por que não é adequado tratar o suplemento como uma solução geral para sintomas inespecíficos.
Dimalato, quelato e glicinato são a mesma coisa?
Não exatamente. Os nomes indicam principalmente a substância à qual o magnésio está ligado. Essa diferença pode alterar solubilidade, absorção, quantidade de magnésio elementar e tolerância gastrointestinal, mas não significa que cada forma tenha benefícios exclusivos já comprovados para uma doença específica.
- Magnésio dimalato: combina magnésio com ácido málico e costuma ser divulgado para fadiga e desconforto muscular, mas faltam evidências robustas de que tenha vantagens clínicas específicas para esses sintomas.
- Magnésio quelato: é um termo amplo para formas nas quais o mineral está ligado a outra molécula, geralmente um aminoácido.
- Magnésio glicinato ou bisglicinato: é uma forma quelada ligada à glicina e costuma apresentar boa tolerância gastrointestinal, embora isso não prove benefícios superiores para sono ou ansiedade em pessoas sem deficiência.
Quem quiser entender melhor essas diferenças pode consultar os tipos de suplemento de magnésio e suas características.

O que a ciência realmente comprova sobre a suplementação?
Há situações nas quais a reposição é bem estabelecida, especialmente quando existe deficiência de magnésio causada por baixa ingestão, doenças gastrointestinais, perdas renais ou determinados medicamentos. Pessoas com diabetes tipo 2, idosos e pacientes com problemas de absorção também apresentam maior risco de níveis inadequados.
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia tem reforçado, em suas publicações sobre suplementação e saúde óssea, a importância de uma abordagem individualizada e baseada em evidências, considerando tanto deficiência quanto excesso. Fora dessas situações, estudos investigam possíveis efeitos do magnésio sobre pressão arterial, glicemia, enxaqueca, sono e outros desfechos, mas os resultados não justificam seu uso indiscriminado como prevenção ou tratamento geral.
Quais são os riscos de tomar magnésio sem necessidade?
O excesso proveniente dos alimentos raramente representa problema em pessoas saudáveis porque os rins eliminam o que não é necessário. Já doses elevadas provenientes de suplementos podem provocar diarreia, náuseas e cólicas abdominais.
Segundo o Office of Dietary Supplements dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, doses muito altas podem causar queda da pressão, fraqueza, dificuldade para respirar e alterações do ritmo cardíaco. O risco de intoxicação aumenta principalmente quando a função dos rins está comprometida.

Quando vale a pena procurar orientação antes de suplementar?
A decisão não deve depender apenas de sintomas como cansaço, cãibras ou dificuldade para dormir, porque essas queixas podem ter muitas outras causas. Antes de escolher um suplemento, é importante considerar alimentação, doenças existentes, função renal e medicamentos em uso.
Também existem interações relevantes. O magnésio pode interferir na absorção de alguns antibióticos e medicamentos para osteoporose, enquanto diuréticos e remédios para redução da acidez gástrica podem modificar os níveis do mineral no organismo. Por isso, o tipo, a dose e a necessidade de suplementação devem ser avaliados individualmente, principalmente em pessoas que utilizam medicamentos regularmente.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica ou nutricional. Antes de iniciar suplementos de magnésio, especialmente em doses elevadas ou em caso de doença renal, converse com um profissional de saúde.








