Tomar vitamina D por rotina não é necessário para todo mundo. A suplementação faz mais sentido quando existe deficiência, maior risco de níveis baixos ou uma condição em que a vitamina tem papel importante na saúde óssea. Idosos, gestantes, pessoas com pouca exposição solar e pacientes com algumas doenças estão entre os grupos que merecem atenção especial. Mesmo assim, a necessidade, a dose e a duração do uso devem ser individualizadas.
Quem tem maior risco de deficiência de vitamina D?
A maior parte da vitamina D disponível no organismo é produzida na pele após a exposição à radiação ultravioleta B. Por isso, idade, rotina, doenças e medicamentos podem interferir bastante nos níveis encontrados no sangue.
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia sobre vitamina D destaca alguns grupos nos quais o risco de hipovitaminose é maior e a avaliação pode ser particularmente relevante:
- idosos;
- gestantes e mulheres que amamentam;
- pessoas com baixa exposição solar ou que não podem se expor ao sol;
- pessoas com osteoporose ou outras doenças que fragilizam os ossos;
- pacientes com doença renal crônica ou problemas de absorção intestinal;
- pessoas que usam medicamentos capazes de interferir no metabolismo ósseo, como corticoides.
Por que os idosos precisam de atenção especial?
Com o envelhecimento, a capacidade da pele de produzir vitamina D diminui. Além disso, alguns idosos passam menos tempo ao ar livre, apresentam alimentação mais restrita ou convivem com condições que aumentam o risco de quedas e fraturas. Por esses motivos, a avaliação da vitamina D pode fazer parte de uma estratégia mais ampla de cuidado com a saúde óssea.
Isso não significa, porém, que todas as pessoas mais velhas devam escolher uma dose de suplemento por conta própria. O médico pode considerar exposição solar, alimentação, saúde dos rins, presença de osteoporose, medicamentos utilizados e, quando indicado, o resultado da dosagem sanguínea antes de definir a conduta.

Gestantes e pessoas com pouco sol precisam suplementar?
Gestação e baixa exposição solar aparecem entre as situações de maior risco consideradas pela SBEM, mas pertencer a um desses grupos não significa que doses elevadas sejam automaticamente necessárias. A suplementação durante a gravidez deve considerar as necessidades maternas, alimentação, fatores de risco e acompanhamento do pré-natal.
Da mesma forma, quem passa grande parte do dia em ambientes fechados, usa roupas que cobrem boa parte da pele ou praticamente não tem exposição solar pode apresentar menor produção de vitamina D. Se houver indicação de suplementação, é importante saber quando tomar vitamina D e como a dose é definida, evitando o uso indiscriminado de produtos em altas concentrações.
Todo mundo precisa fazer exame de vitamina D?
Não. A SBEM não recomenda a dosagem da 25-hidroxivitamina D, conhecida como 25(OH)D, como rastreamento indiscriminado para toda a população adulta saudável. Em pessoas sem sintomas, doenças ou fatores de risco relevantes, fazer o exame de rotina pode identificar pequenas alterações que nem sempre exigem tratamento e estimular suplementações sem benefício definido.
O exame tende a ser mais útil quando existe suspeita de deficiência ou quando o resultado realmente pode modificar a conduta. Isso inclui, por exemplo, pessoas com doenças osteometabólicas, fragilidade óssea, baixa exposição solar importante, alterações de absorção ou uso de medicamentos que interferem no metabolismo da vitamina.

Por que não é uma boa ideia tomar vitamina D por conta própria?
Vitamina D não é inofensiva apenas por ser uma vitamina. Como é lipossolúvel, doses excessivas e mantidas por longos períodos podem se acumular no organismo. O excesso pode elevar o cálcio no sangue e provocar sintomas como náuseas, fraqueza, sede intensa e alterações renais.
A própria SBEM alerta que concentrações muito elevadas de vitamina D aumentam o risco de toxicidade. Por isso, a lógica atual é evitar tanto a deficiência quanto o excesso: quem pertence a um grupo de risco pode precisar de avaliação e suplementação, enquanto uma pessoa saudável não deve assumir que necessita de cápsulas apenas porque a vitamina D ganhou popularidade.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. A necessidade de dosar ou suplementar vitamina D, assim como a escolha da dose e do tempo de tratamento, deve ser definida individualmente por um profissional de saúde.








