Encontrar muitos fios no travesseiro, no chuveiro ou na escova costuma gerar preocupação, e a primeira suspeita costuma recair sobre estresse ou má alimentação. Embora esses fatores realmente influenciem a saúde dos fios, existem outras causas menos lembradas para a queda persistente, como alterações da tireoide, deficiências nutricionais silenciosas e desequilíbrios hormonais. Entender esses gatilhos ajuda a decidir quando vale a pena procurar avaliação médica e investigar com exames.
Por que a queda de cabelo persistente merece atenção?
Perder entre 60 e 100 fios por dia é considerado normal, pois faz parte do ciclo natural de renovação capilar. Quando essa quantidade aumenta e se mantém por mais de três meses, o corpo pode estar sinalizando algum desequilíbrio interno.
A queda persistente costuma ser difusa, com afinamento gradual dos fios em todo o couro cabeludo. Nesses casos, tratar apenas o cabelo com produtos cosméticos raramente resolve, já que a origem do problema está no funcionamento do organismo.
Como estresse e alimentação afetam os fios?
Períodos de estresse intenso podem alterar o ciclo capilar e empurrar vários fios para a fase de repouso ao mesmo tempo, um quadro chamado eflúvio telógeno. A queda costuma aparecer de dois a três meses após o evento estressor.
A alimentação pobre em ferro, zinco, proteínas e vitaminas do complexo B também compromete a saúde do folículo, favorecendo o afinamento. Ajustes nutricionais ajudam, mas nem sempre são suficientes quando há outras causas envolvidas na queda de cabelo.

Quais outras causas podem estar envolvidas?
Além do estresse e da dieta, diversos fatores podem contribuir para a queda persistente. Entre os mais frequentes estão:
- Hipotireoidismo e hipertireoidismo, que alteram o ciclo capilar
- Ferritina baixa, mesmo sem anemia instalada
- Deficiência de vitamina D e vitaminas do complexo B
- Alterações hormonais como síndrome dos ovários policísticos
- Menopausa e queda dos níveis de estrogênio
- Uso de certos medicamentos e tratamentos prolongados
- Doenças autoimunes, como a alopecia areata
- Infecções recentes e período pós-parto
O que a ciência revela sobre tireoide e queda capilar?
A relação entre alterações tireoidianas e afinamento dos fios já foi documentada em diversas pesquisas dermatológicas. Segundo a revisão Impact of Thyroid Dysfunction on Hair Disorders, publicada na revista Cureus e indexada no PubMed, tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo podem provocar queda difusa dos fios, com evidências consistentes de que os hormônios tireoidianos regulam diretamente o crescimento e a diferenciação do folículo capilar. Os autores destacam que a prevalência de disfunções da tireoide entre pessoas com queda de cabelo costuma ser subestimada, o que reforça a importância de considerar essa hipótese em quadros persistentes.

Quando vale a pena procurar avaliação médica?
Alguns sinais indicam que a queda ultrapassou o limite considerado normal e merece investigação com um dermatologista. Fique atenta às seguintes situações:
- Queda intensa que dura mais de três meses
- Afinamento visível em todo o couro cabeludo
- Falhas localizadas ou áreas com pouca densidade
- Presença de sintomas associados, como cansaço, pele seca ou ganho de peso
- Unhas quebradiças e alterações na pele
- Ciclos menstruais irregulares em mulheres
- Histórico familiar de doenças da tireoide ou autoimunes
Nesses casos, o médico pode solicitar exames de sangue como TSH, T4 livre, ferritina, vitamina D e hormônios sexuais para direcionar o tratamento da queda de cabelo conforme a causa identificada.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Consulte sempre um médico de confiança para diagnóstico e tratamento adequados.








