Mexer-se durante o sono é comum, mas dar socos, chutar, gritar ou até cair da cama enquanto parece estar “encenando” um sonho pode indicar um distúrbio chamado transtorno comportamental do sono REM. O quadro merece atenção principalmente quando os episódios se repetem, são intensos ou colocam a própria pessoa ou quem dorme ao lado em risco de machucados.
O que acontece no transtorno comportamental do sono REM?
Durante a fase REM, período em que os sonhos costumam ser mais vívidos, o cérebro normalmente reduz bastante a atividade dos músculos do corpo. Esse mecanismo funciona como uma espécie de proteção para impedir que a pessoa execute fisicamente os movimentos que aparecem no sonho.
No transtorno comportamental do sono REM descrito pela Cleveland Clinic, essa redução da atividade muscular não acontece da maneira esperada. Assim, a pessoa pode falar, gritar, movimentar braços e pernas, agarrar objetos, dar socos ou chutes e até saltar ou cair da cama.
Como perceber que não é apenas se mexer durante o sono?
O que chama atenção é a combinação entre movimentos mais complexos e o conteúdo do sonho. A pessoa pode parecer estar fugindo, se defendendo ou lutando contra algo enquanto dorme e, ao despertar, muitas vezes consegue lembrar de um sonho compatível com aqueles movimentos.
Entre os comportamentos que podem aparecer estão:
- socos ou chutes durante o sono;
- movimentos bruscos dos braços e pernas;
- gritos, falas ou outras vocalizações;
- agarrar a pessoa que está ao lado;
- sair ou cair da cama durante um episódio.
Um movimento isolado ou um episódio ocasional não confirma o transtorno. Outros problemas do sono, inclusive a apneia obstrutiva, podem produzir comportamentos semelhantes e precisam ser considerados durante a investigação.

Por que existe risco de machucados?
Os movimentos podem ser fortes e acontecer sem que a pessoa esteja consciente do ambiente ao redor. Com isso, é possível bater em móveis, cair da cama ou atingir acidentalmente quem está dormindo próximo. A Cleveland Clinic destaca que lesões relacionadas aos episódios são frequentes, o que torna a segurança uma parte importante da avaliação e do tratamento.
Enquanto o quadro está sendo investigado, pode ser necessário tornar o ambiente noturno mais seguro, por exemplo retirando objetos cortantes ou pesados próximos à cama e reduzindo situações que aumentem o risco de queda. Essas medidas ajudam a evitar acidentes, mas não substituem a investigação da causa.
Isso significa que a pessoa tem Parkinson?
Não. O transtorno comportamental do sono REM tem associação conhecida com algumas doenças neurológicas, incluindo a doença de Parkinson, demência com corpos de Lewy e atrofia de múltiplos sistemas. Essa associação não significa que alguém que deu socos ou chutou durante o sono tenha ou necessariamente desenvolverá Parkinson.
Além disso, comportamentos desse tipo podem estar relacionados a outras condições, como narcolepsia, uso de determinados medicamentos, especialmente alguns antidepressivos, ou outros distúrbios do sono. Por isso, o sintoma precisa ser analisado dentro do histórico completo da pessoa, e não usado isoladamente para prever uma doença neurológica.

Quando procurar avaliação médica?
Vale procurar um médico quando os episódios se repetem, estão ficando mais intensos ou já provocaram quedas, hematomas ou outros ferimentos. Também é importante buscar avaliação se quem dorme ao lado estiver sendo atingido ou se existirem outros sintomas do sono que chamem atenção.
A investigação pode incluir histórico detalhado, relato de quem presencia os episódios e, em alguns casos, uma polissonografia com registro dos movimentos durante a noite. O exame ajuda a diferenciar o transtorno comportamental do sono REM de outras condições e orienta o tratamento mais adequado.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação médica individualizada.








