O Setembro Vermelho reforça um dado que preocupa cardiologistas do mundo inteiro: as doenças cardiovasculares são a maior causa de morte no Brasil, e nas mulheres o infarto costuma se manifestar de forma diferente do quadro clássico masculino. Em vez da conhecida dor no peito que irradia para o braço esquerdo, muitas pacientes relatam queimação no estômago, dor na mandíbula e cansaço extremo, sinais silenciosos que atrasam o socorro e aumentam o risco de complicações graves. Reconhecer essas manifestações atípicas é fundamental para agir a tempo e proteger o coração.
Por que o infarto nas mulheres costuma ser silencioso?
As mulheres têm artérias coronárias mais estreitas e apresentam maior probabilidade de sofrer obstruções em vasos menores, o que produz sintomas mais difusos e menos localizados no peito. Além disso, alterações hormonais na menopausa reduzem o efeito protetor do estrogênio, elevando o risco cardiovascular.
Como o quadro raramente se encaixa na imagem tradicional do infarto agudo do miocárdio, muitas pacientes acreditam se tratar de má digestão, tensão muscular ou ansiedade, e demoram para procurar atendimento. Esse atraso é uma das principais razões da maior mortalidade feminina por eventos cardíacos.
Quais são os 3 sintomas de infarto nas mulheres que não envolvem dor no peito?
Os sinais atípicos aparecem, muitas vezes, dias antes do infarto e se intensificam de forma progressiva. Fique atenta a três manifestações principais.
A primeira é a queimação no estômago, semelhante a uma azia forte, acompanhada de náusea, suor frio ou enjoo. A segunda é a dor na mandíbula, que pode se estender ao pescoço, costas ou ombros, sem causa aparente. A terceira é a fadiga extrema e súbita, com falta de ar ao realizar tarefas simples como subir escadas ou caminhar poucos metros.

Quais fatores aumentam o risco de infarto feminino?
Alguns hábitos e condições clínicas elevam de forma significativa a chance de eventos cardíacos nas mulheres:
- Menopausa, especialmente após os 50 anos, pela queda do estrogênio protetor.
- Hipertensão arterial não controlada, que sobrecarrega o coração e as artérias.
- Diabetes tipo 2, que danifica os vasos sanguíneos e favorece a formação de placas.
- Colesterol elevado, sobretudo com LDL alto e HDL baixo.
- Tabagismo, que aumenta em até quatro vezes o risco cardiovascular.
- Estresse crônico, ansiedade e depressão, que impactam a pressão arterial e o ritmo cardíaco.
- Sedentarismo e obesidade abdominal, associados a inflamação e resistência à insulina.
O que a ciência revela sobre os sintomas atípicos em mulheres?
Estudos comparativos mostram que as manifestações do infarto feminino nem sempre acompanham o padrão clássico descrito nos manuais. Segundo o estudo Symptom Presentation of Women With Acute Coronary Syndromes: Myth vs Reality publicado no periódico Archives of Internal Medicine, mais de 40% das mulheres com síndrome coronariana aguda relataram fadiga incomum, distúrbios do sono, falta de ar e sintomas gastrointestinais nas semanas anteriores ao evento, muitas vezes sem qualquer dor torácica intensa.
Esses achados reforçam a importância de valorizar sinais aparentemente banais e de investigar rapidamente qualquer combinação persistente entre cansaço, desconforto abdominal e dor irradiada, principalmente em mulheres com fatores de risco associados.

Como agir diante da suspeita de infarto?
A rapidez no atendimento pode salvar vidas e reduzir sequelas. Se houver suspeita, siga estes cuidados imediatos:
- Ligue imediatamente para o SAMU (192) ou dirija-se ao pronto-socorro mais próximo.
- Fique em repouso, sentada ou semideitada, com roupas folgadas para facilitar a respiração.
- Evite comer, beber ou tomar medicamentos por conta própria.
- Informe ao serviço médico todos os sintomas, mesmo os que pareçam sem relação, como enjoo ou dor na mandíbula.
- Se possível, mastigue um comprimido de AAS 300 mg apenas se orientada por um profissional de saúde ao telefone.
- Não dirija sozinha até o hospital, pois um mal súbito pode agravar a situação.
Diante de qualquer sinal persistente ou recorrente, procure imediatamente um cardiologista ou serviço de emergência. Somente uma avaliação médica com exames como eletrocardiograma, marcadores enzimáticos e cateterismo pode confirmar o diagnóstico e orientar o tratamento correto, prevenindo complicações como doenças cardiovasculares graves.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação médica presencial. Consulte sempre um cardiologista ou outro profissional de saúde qualificado para diagnóstico e tratamento adequados ao seu caso.








