O uso frequente de fones de ouvido em volume alto pode sim causar surdez, além de zumbido persistente e episódios de tontura ao longo do tempo. A Organização Mundial da Saúde alerta que mais de 1 bilhão de jovens estão em risco de perda auditiva pelo uso inadequado desses dispositivos, muitas vezes por hábitos aparentemente inofensivos, como ouvir música durante horas seguidas. Entender esse risco é fundamental para preservar a audição e evitar danos irreversíveis já na juventude.
Como o volume alto danifica a audição?
O ouvido interno abriga células ciliadas responsáveis por captar as vibrações sonoras e transmiti-las ao cérebro. Quando expostas a sons intensos por tempo prolongado, essas células sofrem lesões que não se regeneram, comprometendo de forma permanente a capacidade auditiva.
O dano acontece de maneira silenciosa e progressiva, muitas vezes sem que a pessoa perceba nas fases iniciais. Com o passar dos anos, essa perda pode evoluir para dificuldade em compreender conversas, isolamento social e maior risco de declínio cognitivo.
Por que fones de ouvido causam zumbido e tontura?
O volume elevado dos fones pode desencadear o zumbido no ouvido, conhecido como tinnitus, que se manifesta como chiado, apito ou pulsação percebida mesmo em ambientes silenciosos. Esse sintoma costuma ser um dos primeiros sinais de lesão nas células auditivas.
Além disso, a exposição intensa ao som afeta o labirinto, estrutura responsável pelo equilíbrio, provocando episódios de tontura, sensação de ouvido tampado e desequilíbrio momentâneo. Quando frequentes, esses sinais indicam a necessidade de investigar possíveis causas do perda auditiva.

O que diz o estudo científico da OMS sobre o risco em jovens?
O alerta mundial sobre o uso inadequado de fones de ouvido é respaldado por dados epidemiológicos consistentes. Segundo o comunicado científico 1.1 billion people at risk of hearing loss, publicado pela Organização Mundial da Saúde, cerca de 1,1 bilhão de adolescentes e adultos jovens entre 12 e 35 anos estão em risco de desenvolver perda auditiva pelo uso inseguro de dispositivos pessoais de áudio e pela exposição a ambientes barulhentos.
A OMS destaca que quase 50% dos jovens dessa faixa etária se expõem a níveis perigosos de som pelos fones, e outros 40% ficam expostos a volumes prejudiciais em festas, bares e eventos esportivos. Ruídos acima de 85 decibéis por oito horas ou de 100 decibéis por 15 minutos já são considerados prejudiciais.
Como aplicar a regra 60/60 no uso diário dos fones?
A regra 60/60 é uma orientação prática recomendada por especialistas em otorrinolaringologia para reduzir o risco de danos auditivos causados pelo uso de fones. Veja como colocar essas medidas em prática no dia a dia:
- Manter o volume do dispositivo em, no máximo, 60% da capacidade total, evitando o volume máximo mesmo em ambientes ruidosos;
- Limitar o uso contínuo de fones a até 60 minutos por vez, fazendo pausas de pelo menos 10 minutos entre as sessões;
- Preferir fones do modelo over-ear ou com cancelamento de ruído, que permitem ouvir bem em volumes menores;
- Evitar aumentar o volume para compensar barulhos externos, como ônibus, metrô ou obras próximas;
- Não dormir com fones nos ouvidos, especialmente com música em execução contínua;
- Usar protetores auditivos em shows, festas e ambientes com música muito alta;
- Realizar audiometria periodicamente, principalmente em caso de uso frequente de fones ou exposição profissional ao ruído;
- Ficar atento a sinais de alerta como surdez temporária, zumbido persistente ou dificuldade para entender conversas em ambientes ruidosos.
Adotar essas medidas de forma consistente reduz significativamente o risco de perda auditiva induzida por ruído, uma das poucas causas de surdez que pode ser prevenida com mudanças de hábito.

Quando procurar avaliação médica especializada?
Alguns sintomas indicam que a audição já pode estar comprometida e exigem consulta com otorrinolaringologista o quanto antes. Zumbido constante em um ou nos dois ouvidos, sensação de ouvido tampado que não passa, dificuldade para compreender conversas em ambientes com ruído de fundo e necessidade de aumentar o volume da televisão são sinais que merecem atenção.
Além disso, episódios súbitos de perda auditiva em um dos ouvidos configuram uma emergência médica que precisa de avaliação nas primeiras 72 horas. Nesses casos, o diagnóstico precoce com exames como audiometria e avaliação clínica aumenta as chances de recuperação e preservação da audição.
Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Diante de zumbido persistente, dificuldade auditiva ou tontura frequente, procure orientação médica qualificada com otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo.








