Sim, os olhos lacrimejando sem parar podem ser um sinal de ressecamento ocular. Embora pareça contraditório, quando a superfície dos olhos fica seca e irritada, o organismo pode produzir lágrimas em excesso como resposta ao desconforto. Entretanto, alergias e alterações na drenagem das lágrimas também podem provocar esse sintoma. Entenda como reconhecer os possíveis sinais de olho seco e quais cuidados podem ajudar.
Por que os olhos lacrimejam mesmo estando ressecados?
As lágrimas formam uma película que lubrifica e protege a superfície ocular. Quando sua produção é insuficiente ou a evaporação acontece rapidamente, os olhos podem ficar irritados, estimulando uma produção reflexa de lágrimas. Esse lacrimejamento excessivo nem sempre consegue manter os olhos adequadamente lubrificados.
Segundo o National Eye Institute (NEI), dos Estados Unidos, o olho seco pode provocar ardência, sensação de areia, vermelhidão e visão embaçada. O desconforto pode piorar durante o uso prolongado de telas, pois a frequência das piscadas tende a diminuir.

Quais outras causas podem deixar os olhos lacrimejando?
O ressecamento não é a única explicação para o lacrimejamento excessivo. Outros problemas podem aumentar a produção de lágrimas ou dificultar sua drenagem natural, fazendo com que elas transbordem dos olhos.
Entre as possíveis causas, estão:
- Alergias oculares: geralmente provocam coceira, vermelhidão e lacrimejamento.
- Obstrução do canal lacrimal: dificulta a passagem das lágrimas para o nariz, favorecendo seu acúmulo.
- Conjuntivite: pode causar vermelhidão, irritação e secreção, dependendo da causa.
- Alterações nas pálpebras: podem prejudicar a distribuição ou a drenagem das lágrimas.
- Irritação ou corpo estranho: poeira, cílios e pequenas partículas podem estimular o lacrimejamento.
Para conhecer outras possibilidades, veja também as principais causas de olho lacrimejando e o que fazer.
O que um estudo científico revela sobre o lacrimejamento?
Segundo o estudo retrospectivo Etiology of Epiphora, publicado no Korean Journal of Ophthalmology, em 2021, o lacrimejamento reflexo associado à síndrome do olho seco foi identificado em 167 dos 320 olhos avaliados, correspondendo a 52,19% dos casos. A pesquisa analisou prontuários de 180 pacientes atendidos em um hospital oftalmológico na Coreia do Sul.
Os resultados reforçam que olhos lacrimejando podem estar relacionados ao ressecamento. Entretanto, como o estudo avaliou pacientes de um serviço específico, esses percentuais não representam necessariamente a população geral.
Como aliviar o lacrimejamento causado pelo olho seco?
Quando o desconforto está relacionado ao ressecamento, algumas mudanças na rotina podem ajudar a proteger a superfície ocular. Segundo o NEI, reduzir a exposição ao vento e fazer pausas durante o uso de telas são medidas que podem contribuir para o alívio dos sintomas.
Entre os cuidados recomendados, estão:
- Fazer pausas nas telas: interromper periodicamente o uso do computador ou celular e piscar conscientemente.
- Evitar vento direto: não direcionar ventiladores ou ar-condicionado para o rosto.
- Proteger os olhos: utilizar óculos de proteção contra o vento em ambientes externos.
- Avaliar a lubrificação ocular: conversar com um oftalmologista sobre a necessidade de lágrimas artificiais e o produto mais adequado.
Evite utilizar colírios com antibióticos, corticoides ou substâncias para retirar a vermelhidão sem orientação médica, pois o tratamento depende da causa do lacrimejamento.

Quando os olhos lacrimejando exigem atendimento médico?
O lacrimejamento persistente, especialmente quando afeta apenas um olho ou vem acompanhado de secreção e vermelhidão, deve ser investigado por um oftalmologista. O profissional pode avaliar a superfície ocular, a qualidade das lágrimas e possíveis alterações nos canais lacrimais.
Dor ocular intensa, mudança repentina na visão, perda visual ou traumatismo ocular exigem atendimento médico rápido. Esses sintomas podem indicar problemas que necessitam de avaliação e tratamento imediatos.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.








