Sentir dor lombar depois dos 30 anos não significa necessariamente ter uma hérnia de disco. Na maioria dos casos, a lombalgia é considerada inespecífica, isto é, não existe uma lesão única capaz de explicar o sintoma. Pouca atividade física, fraqueza muscular, sobrecarga, permanência prolongada na mesma posição e outros fatores podem contribuir para o desconforto. Alterações nos discos também se tornam mais frequentes com a idade, mas muitas aparecem em exames de pessoas que não sentem dor.
Por que a lombar pode doer sem existir uma hérnia?
A região lombar depende da ação conjunta de músculos, ligamentos, articulações e discos para sustentar e movimentar o corpo. Quando há pouco condicionamento físico, esforço acima do habitual ou longos períodos sem mudar de posição, essas estruturas podem ficar mais sensíveis e provocar dor na lombar.
A postura também pode influenciar o desconforto, especialmente quando uma mesma posição é mantida por muitas horas. No entanto, não existe uma única “postura errada” responsável pela maioria das lombalgias. Movimento regular, força muscular e capacidade de variar posições costumam ser mais importantes do que tentar permanecer o tempo todo em uma postura rígida.
O que os estudos mostram sobre a dor lombar?
Uma importante revisão ajuda a entender por que nem toda dor deve ser atribuída a uma alteração na coluna. Segundo o estudo What Low Back Pain Is and Why We Need to Pay Attention, publicado na revista científica The Lancet, para a grande maioria das pessoas com dor lombar não é possível identificar com precisão uma causa estrutural específica para o sintoma.
Outra revisão da mesma série destaca que educação, manutenção das atividades e exercícios estão entre as principais estratégias de cuidado para a lombalgia inespecífica. Os autores também alertam para o uso excessivo de exames de imagem, repouso e intervenções invasivas quando não existe indicação clínica clara.

Quais sinais podem sugerir hérnia de disco?
A hérnia deve ser considerada principalmente quando a dor vem acompanhada de sinais de irritação ou compressão de uma raiz nervosa:
- dor irradiada: começa na lombar ou glúteo e pode descer pela coxa, perna ou pé;
- formigamento ou dormência: principalmente em uma das pernas;
- fraqueza muscular: dificuldade para movimentar o pé, a perna ou realizar movimentos habituais;
- dor semelhante a choque ou queimação: seguindo o trajeto do nervo;
- piora ao tossir ou espirrar: pode ocorrer em alguns quadros de compressão nervosa.
Quando um exame de imagem costuma ser necessário?
Ressonância magnética e outros exames não são necessários para toda dor lombar logo no início. Eles costumam ser considerados quando os sintomas persistem, existe suspeita de compressão neurológica importante ou aparecem sinais que indiquem uma causa específica.
- fraqueza progressiva nas pernas;
- perda de controle da urina ou das fezes;
- dormência na região entre as pernas;
- dor após trauma importante;
- febre associada à dor nas costas;
- histórico de câncer, infecção ou osteoporose com sintomas suspeitos;
- dor persistente que não evolui como esperado após avaliação e tratamento inicial.
A própria Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia aponta que a radiculopatia ocorre em apenas uma parcela dos pacientes com lombalgia e que exames de imagem ganham maior importância diante de sintomas neurológicos ou quadros graves e persistentes.
Manter o corpo em movimento costuma fazer parte do tratamento da lombalgia comum. Veja alguns alongamentos para a região lombar que podem ser realizados de acordo com a tolerância e orientação profissional.
Por que fazer ressonância sem indicação pode confundir?
Exames de imagem encontram com frequência protrusões, degeneração dos discos e outras alterações também presentes em pessoas sem qualquer sintoma. A revisão publicada no The Lancet ressalta que muitos achados em radiografias, tomografias e ressonâncias são comuns mesmo em indivíduos sem dor, o que dificulta atribuir automaticamente o desconforto à imagem encontrada.
Isso pode levar a preocupação desnecessária e a tratamentos direcionados para uma alteração que talvez nem seja responsável pela dor. Na ausência de sinais de gravidade, a avaliação clínica costuma orientar inicialmente medidas como manter as atividades possíveis, realizar exercícios para a lombar e fortalecer progressivamente a musculatura. Dor intensa, persistente, irradiada ou acompanhada de sintomas neurológicos deve ser avaliada por um médico, de preferência clínico, ortopedista ou neurologista.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação médica profissional.








