Uma queda inesperada, sonolência fora do habitual ou piora do equilíbrio em uma pessoa que usa vários medicamentos pode estar relacionada aos próprios remédios ou à combinação entre eles. Esses sinais não devem ser atribuídos automaticamente ao envelhecimento, especialmente quando surgem após uma nova prescrição ou mudança de dose.
Como remédios e quedas podem estar relacionados
Alguns medicamentos podem causar sonolência, tontura, queda da pressão, alteração do equilíbrio ou lentidão de reação. Quando diferentes remédios produzem efeitos semelhantes, esses problemas podem se somar e aumentar a possibilidade de acidentes.
O CDC destaca que medicamentos usados para problemas como sono, ansiedade, pressão alta e dor crônica podem apresentar efeitos que favorecem quedas. O risco deve ser analisado individualmente, pois ter vários medicamentos prescritos não significa que todos sejam desnecessários.

Quais medicamentos merecem ser revisados
A revisão deve considerar o tratamento completo, inclusive produtos comprados sem receita. Entre os grupos que podem contribuir para sintomas capazes de facilitar quedas estão:
- remédios para dormir e outros medicamentos com efeito sedativo;
- alguns antidepressivos, ansiolíticos e antipsicóticos;
- alguns anticonvulsivantes;
- medicamentos que podem reduzir a pressão arterial;
- alguns analgésicos e medicamentos para dor crônica.
Também é importante informar vitaminas, fitoterápicos, chás e medicamentos de venda livre, já que uma interação medicamentosa pode alterar a intensidade dos efeitos do tratamento.
O que mostra um estudo científico de 2026
Segundo o estudo Associations of Polypharmacy, Diuretics and Antipsychotics with Injurious Falls, publicado em 2026 na revista Drugs & Aging, uma análise com 952 pessoas de 65 anos ou mais encontrou associação entre polifarmácia e maior risco de quedas com lesão. O estudo também identificou associações com o uso de diuréticos e antipsicóticos.
Por ser um estudo observacional, o resultado não demonstra que esses medicamentos tenham causado diretamente as quedas. Ele reforça, porém, a importância de revisar periodicamente a medicação e procurar possíveis efeitos adversos ou combinações de risco.
O que levar para a revisão da medicação
Uma lista completa ajuda o médico ou farmacêutico a identificar duplicidades, interações e medicamentos que possam estar contribuindo para os sintomas. Para a consulta, vale registrar:
- nome e dose de cada medicamento;
- horários em que os remédios são tomados;
- vitaminas, suplementos, chás e fitoterápicos;
- quando a sonolência, tontura ou queda começou;
- qualquer medicamento iniciado ou ajustado recentemente.
Não se deve suspender ou reduzir um medicamento por conta própria, pois a interrupção também pode trazer riscos. Mudanças no tratamento precisam ser orientadas por um profissional de saúde.

Quando é necessário procurar avaliação rápida
Queda, desmaio, confusão mental nova ou sonolência intensa merecem avaliação médica rápida, sobretudo quando representam uma mudança súbita no estado habitual da pessoa. Esses sintomas podem ter relação com medicamentos, mas também podem indicar outras condições que precisam ser investigadas.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, que deve investigar os sintomas e orientar qualquer ajuste, troca ou suspensão de medicamentos.









