Parar de fumar depois dos 60 anos continua trazendo benefícios, mesmo para quem fumou durante décadas. Algumas mudanças começam pouco tempo após o último cigarro, enquanto os riscos de infarto, AVC, doenças pulmonares e câncer diminuem progressivamente com o passar dos anos sem tabaco.
O corpo começa a mudar logo após o último cigarro
A recuperação não acontece de uma vez. Segundo o CDC, a frequência cardíaca começa a cair em minutos, a nicotina no sangue chega a zero em cerca de 24 horas e o monóxido de carbono diminui nos dias seguintes.
Com mais tempo sem fumar, tosse e falta de ar podem diminuir, e entre um e dois anos o risco de infarto cai de forma acentuada em comparação com quem continua fumando.
O que pode facilitar a decisão de parar

A dependência de nicotina pode tornar as primeiras semanas desafiadoras. Algumas mudanças ajudam a reduzir o contato com gatilhos e tornam a tentativa mais organizada:
- identificar horários e situações que despertam vontade de fumar;
- retirar cigarros, cinzeiros e isqueiros do ambiente;
- planejar outra atividade para momentos associados ao cigarro;
- avisar pessoas próximas e pedir apoio;
- retomar o plano caso aconteça uma recaída.
Veja também outras estratégias para parar de fumar e lidar com situações que costumavam estar associadas ao cigarro.
Estudo mostra benefício mesmo após décadas fumando
Segundo o estudo Smoking Cessation and Short- and Longer-Term Mortality, publicado no NEJM Evidence em 2024, pesquisadores analisaram quatro grandes estudos de coorte com cerca de 1,48 milhão de adultos de 20 a 79 anos.
O Smoking Cessation and Short- and Longer-Term Mortality encontrou associação entre abandonar o cigarro e maior sobrevida em todas as idades avaliadas. Os benefícios já apareciam nos primeiros anos após a cessação, reforçando que não existe uma idade em que parar deixe de valer a pena.
Quando buscar ajuda aumenta as ferramentas
Não conseguir parar sozinho não significa que não seja possível abandonar o cigarro. A dependência de nicotina pode exigir diferentes estratégias, e apoio profissional é especialmente útil para quem:
- fuma muitos cigarros diariamente;
- sente forte necessidade de nicotina ao acordar;
- já tentou parar várias vezes;
- apresenta sintomas de abstinência difíceis de controlar;
- possui doenças crônicas ou utiliza vários medicamentos.
Aconselhamento e medicamentos específicos para cessação podem ser considerados pelo profissional conforme o perfil de cada pessoa.

Nunca é tarde para abandonar o cigarro
Parar aos 60, 70 anos ou mais não apaga imediatamente os efeitos acumulados do tabagismo, mas interrompe uma exposição contínua e permite que diversos riscos comecem a cair. Quanto mais cedo ocorrer a mudança, maior tende a ser o benefício acumulado.
Quem apresenta tosse persistente, falta de ar progressiva, sangue no catarro ou dor no peito deve procurar avaliação médica, mesmo depois de parar, pois abandonar o cigarro não substitui a investigação de sintomas já existentes.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um médico.









