Aumentar o volume da televisão de forma gradual pode ser um dos primeiros sinais de perda auditiva. Como a redução da audição relacionada à idade costuma acontecer lentamente, é comum que a própria pessoa se adapte e só perceba a mudança quando começa a pedir repetições ou encontra dificuldade para acompanhar conversas.
Por que a perda auditiva pode passar despercebida
A perda auditiva relacionada ao envelhecimento, chamada presbiacusia, geralmente evolui aos poucos e costuma afetar os dois ouvidos. Essa progressão lenta permite que pequenas dificuldades sejam compensadas durante meses ou anos.
Segundo o National Institute on Deafness and Other Communication Disorders (NIDCD), a pessoa pode não perceber imediatamente que perdeu parte da capacidade de ouvir justamente porque a alteração ocorre de forma gradual.
Quais sinais merecem atenção

Nem todo aumento ocasional do volume significa um problema de audição. A atenção é maior quando algumas mudanças começam a se repetir no cotidiano, como:
- precisar deixar a televisão mais alta do que antes;
- pedir frequentemente para outras pessoas repetirem frases;
- achar que as pessoas estão falando baixo ou pouco claramente;
- ter dificuldade para entender conversas em locais com barulho;
- evitar encontros ou conversas por não conseguir acompanhar o que é dito.
Esses sinais podem ter diferentes causas, mas a repetição deles é um motivo para considerar uma avaliação da audição. Veja também outros sintomas e causas da perda auditiva.
Estudo avaliou sinais percebidos no dia a dia
O estudo The Revised Hearing Handicap Inventory and Screening Tool Based on Psychometric Reevaluation of the Hearing Handicap Inventories for the Elderly and Adults, publicado na revista Ear and Hearing em 2020, avaliou instrumentos usados para identificar o impacto percebido da dificuldade auditiva em adultos.
No The Revised Hearing Handicap Inventory and Screening Tool Based on Psychometric Reevaluation of the Hearing Handicap Inventories for the Elderly and Adults, 1.447 adultos participaram de avaliações que incluíram testes audiométricos. Os resultados reforçam a utilidade de observar como a audição interfere em situações cotidianas, embora essas percepções não substituam um teste auditivo.
O que pode facilitar as conversas
Alguns ajustes simples podem tornar a comunicação mais confortável enquanto a audição é investigada. Entre as medidas úteis estão:
- reduzir televisão, música e outros ruídos de fundo durante conversas;
- ficar de frente para quem está falando;
- preferir ambientes mais silenciosos quando possível;
- pedir que a pessoa fale de forma clara, sem precisar gritar;
- observar em quais situações entender a fala é mais difícil.
Essas estratégias ajudam na comunicação, mas não corrigem uma possível perda auditiva. Quando a dificuldade é frequente, a avaliação permite verificar se existe alteração e qual é o grau.

Quando vale fazer um teste de audição
É recomendado procurar avaliação quando a dificuldade para ouvir começa a atrapalhar conversas, televisão, telefone ou convívio social. O profissional pode examinar os ouvidos e indicar testes, como a audiometria, para medir a capacidade de ouvir diferentes sons e compreender a fala.
Também é importante buscar atendimento se a audição piorar de forma repentina, especialmente em apenas um ouvido. Já mudanças graduais não devem ser ignoradas apenas por parecerem parte natural do envelhecimento, pois existem formas de melhorar a comunicação e a qualidade de vida após o diagnóstico.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um médico.









