Sim, quem tem diabetes precisa observar os pés todos os dias, mesmo sem sentir dor, porque a doença pode reduzir a sensibilidade e fazer com que feridas, bolhas e rachaduras passem despercebidas até se transformarem em complicações graves. A ausência de dor não significa que está tudo bem: pelo contrário, muitas vezes é o primeiro sinal de que os nervos já foram afetados. Entender por que isso acontece e o que observar ajuda a prevenir infecções, úlceras e até amputações.
Por que o pé pode não doer mesmo com uma lesão?
O excesso de glicose no sangue por longos períodos danifica os nervos periféricos, uma condição conhecida como neuropatia diabética. Esse dano reduz a capacidade de sentir dor, calor, frio e pressão nos pés, fazendo com que cortes, calos e queimaduras passem despercebidos.
Junto disso, a diabetes também compromete a circulação sanguínea nos membros inferiores, o que dificulta a cicatrização de qualquer lesão. Assim, uma pequena ferida indolor pode evoluir silenciosamente até se tornar uma úlcera profunda, que é uma das principais complicações da diabetes.
O que observar na pele, unhas e sensibilidade dos pés?
A inspeção diária deve ser rápida e feita em local bem iluminado, com auxílio de um espelho ou de outra pessoa quando necessário. É importante procurar por sinais discretos, que costumam surgir antes de qualquer desconforto.
Fique atento aos seguintes pontos durante a avaliação:
- Pele: ressecamento, rachaduras (principalmente no calcanhar), vermelhidão, manchas escuras ou áreas mais quentes que o restante do pé;
- Feridas e bolhas: qualquer corte, arranhão, bolha ou calo, mesmo pequenos;
- Unhas: mudança de cor, espessamento, unha encravada ou descolamento;
- Entre os dedos: descamação, umidade excessiva ou frieiras, que podem indicar micose;
- Sensibilidade: dormência, formigamento, queimação ou perda da percepção ao toque leve;
- Formato do pé: inchaço, deformidades novas ou dedos em posição diferente do habitual.

Como um estudo científico confirma a importância da inspeção diária?
A relação entre perda de sensibilidade, má circulação e desenvolvimento de úlceras nos pés é amplamente documentada na literatura médica. Segundo a revisão por pares Diabetic neuropathy, publicada na revista Nature Reviews Disease Primers, ao menos metade das pessoas com diabetes desenvolve neuropatia ao longo da vida, condição marcada pela perda de função sensorial que começa nas extremidades dos pés.
A pesquisa reforça que o controle da glicemia e o rastreamento regular da sensibilidade são medidas fundamentais para prevenir a progressão da doença, reduzindo o risco de úlceras, infecções e amputações não traumáticas.
Quais cuidados diários ajudam a proteger os pés?
Além da inspeção, alguns hábitos simples reduzem o risco de pé diabético e devem entrar na rotina de quem convive com a diabetes. Confira as principais recomendações:
- Lavar os pés diariamente com água morna (nunca quente) e sabonete neutro;
- Secar bem, principalmente entre os dedos, com toques suaves da toalha;
- Hidratar a pele, evitando aplicar creme entre os dedos;
- Cortar as unhas retas, sem arredondar os cantos, para evitar unhas encravadas;
- Usar meias de algodão sem costuras marcadas e trocar todos os dias;
- Escolher calçados fechados, confortáveis e sempre conferir o interior antes de calçar;
- Evitar andar descalço, mesmo dentro de casa;
- Manter o controle da glicemia em dia e realizar consultas periódicas.

Quando é preciso procurar atendimento médico?
Qualquer alteração nova merece avaliação, mesmo sem dor. Procure orientação profissional ao notar feridas que não cicatrizam, mudança na cor da pele, inchaço persistente, secreção, mau cheiro, dormência que piora ou perda súbita de sensibilidade.
Em casos de pele arroxeada ou escurecida, febre, calafrios ou dificuldade para apoiar o pé, o atendimento deve ser imediato, pois esses sinais podem indicar infecção ou comprometimento circulatório grave.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Em caso de dúvidas ou sintomas, consulte sempre um médico.









