Manter o peso estável ou ter IMC dentro da faixa considerada normal não significa, necessariamente, que a distribuição da gordura corporal esteja adequada. Quando a cintura abdominal aumenta de forma persistente, pode haver maior concentração de gordura na região do abdômen, informação que a balança sozinha não consegue mostrar e que merece atenção por sua relação com o risco cardiometabólico.
Por que a cintura abdominal importa
O peso corporal reúne músculos, gordura, ossos e líquidos, sem indicar onde a gordura está armazenada. Já uma cintura maior pode sinalizar maior acúmulo de gordura abdominal e visceral, associada a alterações como resistência à insulina, pressão alta e mudanças no colesterol e nos triglicerídeos.
Por isso, a medida da cintura complementa o IMC na avaliação de saúde. Mesmo em pessoas com peso normal, acompanhar sua evolução ao longo do tempo pode ajudar a identificar mudanças na composição corporal que passariam despercebidas apenas pela balança.
Como medir a cintura corretamente

A American Heart Association recomenda um método padronizado para tornar a comparação das medidas mais confiável. O ideal é utilizar sempre a mesma técnica e evitar medir sobre roupas volumosas.
- Fique em pé, com o abdômen relaxado e os pés apoiados no chão.
- Localize a parte superior do osso do quadril, chamada crista ilíaca.
- Passe uma fita métrica sem elasticidade ao redor da cintura nesse nível.
- Mantenha a fita paralela ao chão, ajustada sem apertar a pele.
- Faça a leitura ao final de uma expiração normal e registre o resultado.
Os pontos de corte podem variar conforme sexo, população e diretriz utilizada. Mais importante do que interpretar sozinho um valor isolado é observar a tendência de aumento da cintura e considerar outros fatores de risco.
O que um estudo científico mostrou
Segundo o estudo Cardiometabolic Outcomes Among Adults With Abdominal Obesity and Normal Body Mass Index, publicado no JAMA Network Open em 2025, 21,7% dos participantes com IMC normal apresentavam obesidade abdominal. O estudo transversal, com mais de 471 mil pessoas, encontrou associação desse padrão com hipertensão, diabetes, colesterol elevado e triglicerídeos altos, reforçando que o IMC não deve ser analisado isoladamente.
Hábitos que ajudam a controlar a cintura
A redução da gordura visceral depende principalmente de mudanças sustentáveis no estilo de vida. Não é possível escolher apenas a barriga como local de perda de gordura, mas alguns hábitos favorecem a redução da gordura corporal e melhoram a saúde metabólica.
- Priorizar verduras, frutas, leguminosas, cereais integrais e fontes de proteínas.
- Reduzir refrigerantes, bebidas açucaradas, doces e alimentos ultraprocessados.
- Praticar atividade física regularmente, combinando exercícios aeróbicos e de força.
- Manter sono adequado e limitar longos períodos de comportamento sedentário.

Quando procurar avaliação profissional
É indicado conversar com um médico ou nutricionista quando a cintura abdominal cresce de forma persistente, mesmo sem mudança relevante no peso, especialmente na presença de pressão alta, alteração da glicose ou do colesterol, sedentarismo ou histórico familiar de doença cardiovascular e diabetes.
Um aumento abdominal rápido, acompanhado de dor, distensão importante ou outros sintomas, também deve ser avaliado, pois nem todo crescimento da barriga é causado pelo acúmulo de gordura.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou as orientações de um médico.









