Ouvir um chiado, zumbido ou ruído semelhante à estática ao aproximar o celular do aparelho auditivo pode ser sinal de interferência entre os dispositivos. Isso acontece porque alguns aparelhos auditivos podem captar sinais eletromagnéticos emitidos pelo telefone, principalmente durante chamadas. Embora esse problema esteja menos frequente com a evolução das tecnologias, ele ainda pode ocorrer em determinadas combinações de aparelhos. Entretanto, nem todo chiado tem origem no celular. Um apito agudo também pode indicar encaixe inadequado, acúmulo de cera ou necessidade de revisão do dispositivo.
Por que o celular pode provocar chiado no aparelho auditivo?
Os celulares utilizam sinais de radiofrequência para se comunicar com as redes móveis. Em determinadas situações, esses sinais podem interferir nos circuitos eletrônicos de alguns aparelhos auditivos, produzindo ruídos que atrapalham a compreensão das palavras durante uma ligação.
Segundo a Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA), a interferência não acontece em todas as combinações de celulares e aparelhos auditivos. A compatibilidade entre esses dispositivos vem melhorando, e alguns modelos atuais possuem tecnologias que ajudam a reduzir os ruídos indesejados.
A intensidade do problema pode variar conforme o modelo do telefone, o tipo de aparelho auditivo e a maneira como os dispositivos são utilizados. Em alguns casos, o chiado aparece somente durante chamadas; em outros, pode surgir quando o celular está próximo do ouvido.

Como diferenciar a interferência do celular de um apito do aparelho?
Um detalhe importante é observar quando o ruído aparece. A interferência eletrônica costuma ser percebida como um zumbido, estalo ou som semelhante à estática, especialmente durante o uso do telefone.
Já o apito agudo e contínuo pode estar relacionado ao retorno acústico, também chamado de feedback. Esse fenômeno acontece quando parte do som amplificado escapa do canal auditivo, retorna ao microfone do aparelho e é amplificada novamente.
Alguns sinais ajudam a distinguir as situações:
- Ruído apenas durante chamadas: pode indicar interferência entre o celular e o aparelho auditivo;
- Chiado que diminui ao afastar o telefone: sugere uma possível relação com o posicionamento dos dispositivos;
- Apito ao colocar ou movimentar o aparelho: pode estar relacionado ao encaixe do molde ou da ponteira;
- Apito acompanhado de ouvido tampado: pode ocorrer quando existe acúmulo de cera ou obstrução da saída de som;
- Ruído mesmo sem o celular por perto: merece avaliação do encaixe, das condições do aparelho e de outras possíveis causas.
Essas diferenças ajudam a identificar o contexto do problema, mas não permitem confirmar a causa sem uma avaliação adequada.
O que fazer quando o aparelho chia durante uma ligação?
O primeiro cuidado é verificar as orientações do fabricante sobre o uso do aparelho auditivo com celulares. Alguns modelos possuem recursos específicos para chamadas, conectividade Bluetooth ou ajustes de compatibilidade que devem ser configurados conforme as instruções do dispositivo.
Quando permitido pelo fabricante, pode ser útil experimentar pequenas mudanças na posição do telefone, mantendo-o próximo à região do microfone do aparelho auditivo sem pressioná-lo diretamente. Em determinados modelos, utilizar uma conexão de áudio sem fio compatível também pode facilitar as chamadas.
Não é recomendado modificar a programação, desmontar componentes ou alterar o volume repetidamente para tentar eliminar o chiado. Essas mudanças podem prejudicar a qualidade da amplificação e dificultar a identificação do problema.
Também é importante observar se o aparelho está corretamente posicionado e realizar apenas a limpeza indicada pelo fabricante. Introduzir cotonetes ou outros objetos no canal auditivo para tentar retirar cera pode provocar lesões e empurrar o cerume para regiões mais profundas.

Quando é necessário procurar o profissional responsável pelo aparelho?
Se o chiado continuar mesmo após verificar o posicionamento e seguir as recomendações do fabricante, é indicado procurar o fonoaudiólogo responsável pela adaptação do aparelho auditivo. O profissional poderá avaliar a compatibilidade com o celular, o encaixe, a programação e as condições dos componentes.
O Instituto Nacional de Surdez e Outros Distúrbios da Comunicação dos Estados Unidos (NIDCD) também orienta que apitos podem ocorrer quando o aparelho não está bem ajustado, apresenta problemas de funcionamento ou existe obstrução por cera ou líquido. Nessas situações, uma revisão profissional pode ser necessária.
Além disso, dor no ouvido, secreção, tontura ou piora da audição não devem ser atribuídas automaticamente à interferência eletrônica. Esses sintomas precisam de avaliação médica, principalmente quando surgem de forma inesperada. Uma perda auditiva súbita exige atendimento médico urgente, mesmo que a pessoa já utilize aparelho auditivo.
Identificar a origem do ruído permite diferenciar dificuldades de compatibilidade de problemas no ouvido ou no próprio dispositivo, evitando ajustes improvisados que podem comprometer a audição e o conforto durante o uso.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.









