O teste genético para Li-Fraumeni procura alterações germinativas no gene TP53, relacionadas a uma predisposição hereditária a diferentes tipos de câncer. Ele não costuma ser indicado para qualquer pessoa que tenha um familiar com câncer. A decisão considera principalmente quais tumores ocorreram, a idade em que apareceram, se uma mesma pessoa teve mais de um câncer e se já existe uma variante do TP53 identificada na família.
Quem pode ter indicação para fazer o teste genético TP53?
Um dos conjuntos de critérios utilizados para orientar a investigação é conhecido como critérios de Chompret. A avaliação é feita por oncologista, geneticista ou equipe especializada em câncer hereditário, porque detalhes do histórico pessoal e familiar podem mudar a indicação.
De acordo com a orientação clínica do eviQ para testagem do TP53, situações que podem justificar a investigação incluem:
- ter um câncer característico do espectro de Li-Fraumeni em idade jovem associado a determinados casos de câncer em parentes próximos;
- ter desenvolvido múltiplos tumores primários, especialmente quando dois pertencem ao espectro relacionado ao TP53;
- ter alguns tumores raros associados à síndrome, como carcinoma adrenocortical ou carcinoma do plexo coroide;
- ter câncer de mama diagnosticado antes dos 31 anos, mesmo sem histórico familiar;
- ter um parente com uma variante germinativa patogênica do TP53 já confirmada.
Quais tipos de câncer chamam mais atenção no histórico?
A síndrome de Li-Fraumeni pode estar relacionada a diferentes tumores. Entre os mais característicos estão câncer de mama em idade jovem, sarcomas de partes moles, osteossarcoma, tumores do sistema nervoso central e carcinoma adrenocortical. Alguns cânceres raros na infância também podem levar à investigação mesmo sem outros casos conhecidos na família.
O Tua Saúde explica que a síndrome de Li-Fraumeni está relacionada a alterações no gene TP53 e pode aumentar o risco de diferentes tipos de câncer. Por isso, saber apenas que “há muito câncer na família” não basta: é útil identificar quais parentes foram afetados, qual era o diagnóstico e aproximadamente quantos anos tinham quando a doença apareceu.

Se alguém da família tem a alteração no TP53, os parentes também devem testar?
Quando uma variante germinativa patogênica do TP53 já foi identificada em uma pessoa, parentes biológicos podem ser encaminhados para aconselhamento genético para avaliar a chamada testagem preditiva. Nessa situação, o laboratório pode procurar especificamente a alteração que já é conhecida na família, em vez de iniciar uma investigação ampla sem uma variante definida.
A Li-Fraumeni apresenta padrão de herança autossômico dominante. Isso significa que filhos de uma pessoa com uma variante germinativa patogênica no TP53 podem ter 50% de chance de herdá-la. A indicação de testar crianças exige atenção especial, porque um resultado positivo pode levar a mudanças no acompanhamento médico ainda durante a infância.
Por que o aconselhamento genético deve acontecer antes do exame?
O teste pode trazer informações importantes não apenas para quem o realiza, mas também para outros parentes. Antes da coleta, o aconselhamento genético ajuda a reconstruir o histórico familiar, estimar a possibilidade de uma síndrome hereditária, escolher o exame mais apropriado e discutir o que diferentes resultados podem significar.
O National Cancer Institute recomenda aconselhamento antes dos testes para risco hereditário de câncer e também destaca sua importância depois do resultado. Entre os possíveis resultados estão:
- variante patogênica ou provavelmente patogênica: pode confirmar uma predisposição hereditária e mudar o acompanhamento;
- resultado negativo: precisa ser interpretado considerando qual teste foi feito e se já havia uma alteração conhecida na família;
- variante de significado incerto: indica uma alteração cujo impacto ainda não está estabelecido e não deve ser tratada automaticamente como causadora da síndrome.

Um resultado negativo descarta Li-Fraumeni?
Nem sempre. Se já existe uma variante patogênica específica na família e o parente não a herdou, o resultado é muito mais informativo. Já quando existe um histórico fortemente sugestivo, mas nenhuma alteração familiar conhecida, um teste negativo pode não explicar completamente por que aqueles cânceres ocorreram.
Por isso, o resultado do teste genético TP53 não deve ser interpretado isoladamente. O aconselhamento depois do exame ajuda a definir se são necessários protocolos específicos de vigilância, investigação de outros genes ou orientações para familiares, evitando tanto preocupação desnecessária quanto falsa sensação de segurança.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica ou aconselhamento genético individualizado.









