Perceber mais cabelos no travesseiro, no ralo do banheiro ou na escova pode causar preocupação, especialmente quando a quantidade parece aumentar de repente. Embora a alimentação tenha influência na saúde dos fios, a queda de cabelo também pode estar relacionada à genética, alterações hormonais, doenças, medicamentos e acontecimentos que modificam o ciclo de crescimento capilar. Identificar a causa é importante porque nem sempre vitaminas, sementes ou mudanças na dieta conseguem resolver o problema.
Por que o cabelo pode começar a cair mais?
O cabelo passa naturalmente por fases de crescimento, repouso e queda. Em condições habituais, perder aproximadamente 50 a 100 fios por dia faz parte desse processo de renovação. Entretanto, algumas situações podem fazer com que uma quantidade maior de fios entre na fase de queda ao mesmo tempo.
Segundo a Academia Americana de Dermatologia (AAD), existem diferentes causas de perda capilar, incluindo fatores hereditários, envelhecimento, alterações da tireoide, doenças do couro cabeludo e acontecimentos como cirurgias, parto ou períodos de estresse intenso.
Uma dessas alterações é o eflúvio telógeno, condição em que ocorre uma queda mais intensa e difusa dos fios, geralmente alguns meses depois de febre alta, doença, cirurgia ou perda importante de peso. Em muitos casos, o crescimento se recupera gradualmente após a resolução do fator desencadeante.

Alimentação pode resolver a queda de cabelo?
Uma alimentação equilibrada fornece proteínas, ferro, zinco e outros nutrientes necessários para a formação e manutenção dos fios. Quando existe deficiência nutricional, corrigir essa alteração pode contribuir para a recuperação da saúde capilar.
Sementes de abóbora, chia, linhaça e outros alimentos nutritivos podem fazer parte de uma dieta saudável. No entanto, não existem evidências suficientes de que consumir uma mistura específica de sementes seja capaz de interromper todos os tipos de queda de cabelo, especialmente quando a causa é genética, hormonal ou relacionada a doenças.
Dietas muito restritivas, emagrecimento rápido e ingestão insuficiente de proteínas também podem favorecer a queda. Por outro lado, utilizar suplementos sem necessidade não garante resultados e, dependendo do nutriente e da quantidade ingerida, pode até agravar o problema.
Quais sinais indicam que vale investigar?
Nem toda mudança na quantidade de fios representa uma doença. Entretanto, algumas características ajudam a diferenciar a renovação natural de situações que merecem avaliação dermatológica.
Os principais sinais de atenção incluem:
- Queda repentina e intensa: quando grandes quantidades de fios começam a se desprender em pouco tempo;
- Falhas localizadas: aparecimento de áreas arredondadas ou irregulares sem cabelo;
- Afinamento progressivo: quando o couro cabeludo fica cada vez mais visível ou a divisão do cabelo parece alargar;
- Queda persistente: perda aumentada que continua por semanas ou meses sem melhora;
- Alterações no couro cabeludo: vermelhidão, descamação, feridas, dor ou coceira intensa.
Esses sinais podem estar associados a diferentes condições, como alopecia androgenética, alopecia areata ou doenças inflamatórias. Conheça também as principais causas de queda de cabelo e as situações em que o tratamento pode ser necessário.
O que pode ajudar a proteger os fios no dia a dia?
Alguns cuidados reduzem a quebra e a agressão ao cabelo, embora não substituam a investigação quando existe uma causa médica para a queda.
Entre as medidas que podem ajudar estão:
- Evitar dietas restritivas sem acompanhamento nutricional;
- Manter uma alimentação variada, com fontes adequadas de proteínas e minerais;
- Evitar penteados muito apertados, que puxam continuamente os fios;
- Reduzir o uso excessivo de calor e procedimentos químicos agressivos;
- Desembaraçar os cabelos com delicadeza, especialmente quando estão frágeis;
- Evitar iniciar suplementos ou tratamentos capilares sem orientação profissional.
Penteados que mantêm os cabelos muito tensionados podem provocar alopecia por tração. Quando esse hábito se prolonga, os folículos podem sofrer danos permanentes, tornando importante modificar a forma de prender os fios antes que a perda avance.

Como descobrir a verdadeira causa da queda?
A avaliação dermatológica considera quando a queda começou, como os fios estão sendo perdidos, o histórico familiar, os medicamentos utilizados e possíveis acontecimentos recentes, como infecções, cirurgias ou mudanças importantes de peso.
Durante a consulta, o profissional pode examinar o couro cabeludo e utilizar instrumentos que permitem observar os fios e os folículos com maior detalhe. Dependendo da suspeita, exames de sangue podem ser solicitados para investigar anemia, deficiência de ferro ou alterações da tireoide, entre outras condições.
Quanto mais cedo a causa for identificada, maiores podem ser as possibilidades de controlar a perda e preservar os fios, especialmente em doenças que provocam afinamento progressivo ou danos aos folículos. Por isso, quando a queda aumenta, surgem falhas ou o cabelo perde volume continuamente, a investigação costuma ser mais útil do que apostar apenas em receitas caseiras ou suplementos.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.









