A síndrome de Li-Fraumeni é uma condição hereditária rara que aumenta o risco de desenvolver diferentes tipos de câncer, muitas vezes em idades mais jovens do que o habitual. Na maioria dos casos, ela está relacionada a uma alteração no gene TP53 que pode ser transmitida entre gerações. Por isso, quando uma pessoa recebe o diagnóstico, a investigação pode ser importante também para outros integrantes da família.
O que acontece com o gene TP53 na síndrome de Li-Fraumeni?
O TP53 é chamado de gene supressor de tumor porque participa do controle da divisão das células e de respostas a danos no DNA. Quando existe uma variante patogênica herdada nesse gene, parte dessa proteção fica comprometida, aumentando a possibilidade de que determinadas células acumulem outras alterações ao longo da vida e originem tumores.
A MedlinePlus Genetics explica a relação entre alterações no TP53 e a síndrome de Li-Fraumeni. Ter a variante genética, porém, não significa saber qual câncer surgirá ou exatamente quando isso acontecerá. O risco é elevado, mas pode variar conforme a alteração genética, a idade e outros fatores individuais.
Quais tipos de câncer aparecem com mais frequência?
A síndrome não está ligada a apenas um órgão. Segundo o National Cancer Institute, a síndrome de Li-Fraumeni aumenta o risco de vários tipos de câncer, incluindo sarcomas, tumores cerebrais e câncer de mama. Outros tumores também podem fazer parte desse espectro.
Entre os cânceres mais associados à condição estão:
- sarcomas de partes moles;
- osteossarcoma, que afeta os ossos;
- câncer de mama;
- tumores do sistema nervoso central;
- carcinoma adrenocortical, que se desenvolve na glândula adrenal;
- alguns tipos de leucemia.
Uma mesma pessoa também pode desenvolver mais de um câncer primário ao longo da vida. O Tua Saúde detalha os cânceres associados e a investigação da síndrome de Li-Fraumeni.

Por que a síndrome pode aparecer em várias pessoas da mesma família?
A forma de herança costuma ser autossômica dominante. Isso significa que uma única cópia alterada do gene pode ser suficiente para causar a predisposição. Quando uma pessoa possui uma variante patogênica germinativa no TP53, cada filho tem, em geral, 50% de chance de herdar essa mesma alteração.
Isso ajuda a explicar famílias em que cânceres surgem em diferentes gerações, por vezes em pessoas jovens e em órgãos distintos. Nem todos os casos, porém, são herdados de um dos pais. A MedlinePlus informa que uma parcela das alterações surge pela primeira vez na própria pessoa, chamada de variante de novo. A partir daí, ela pode ser transmitida aos descendentes.
Como saber se outras pessoas da família também têm a alteração?
O histórico familiar é uma das peças da investigação. Cânceres em idades incomuns, várias pessoas afetadas, múltiplos tumores na mesma pessoa ou combinações características podem levar o oncologista ou geneticista a considerar a síndrome. A confirmação pode envolver teste genético para procurar uma variante patogênica no TP53.
Quando uma alteração é identificada, parentes próximos podem receber aconselhamento genético para avaliar se o teste também é indicado. Esse processo não serve apenas para dizer quem herdou a variante. Ele ajuda a explicar o significado do resultado, as limitações do exame e quais cuidados podem mudar para quem apresenta risco elevado.

Por que o acompanhamento faz diferença mesmo sem sintomas?
A síndrome de Li-Fraumeni não produz um conjunto específico de sintomas antes do surgimento de um tumor. Por isso, esperar sinais aparecerem pode não ser a melhor estratégia para quem já tem o diagnóstico. Protocolos de vigilância podem incluir consultas periódicas e exames como ressonância magnética de corpo inteiro, ressonância do cérebro e avaliações direcionadas conforme idade, sexo e histórico familiar.
Um estudo do National Cancer Institute sobre rastreamento na síndrome de Li-Fraumeni demonstrou a possibilidade de detectar tumores durante um programa estruturado de acompanhamento. O protocolo deve ser individualizado por uma equipe com experiência em predisposição hereditária ao câncer, porque os exames e a frequência podem variar ao longo da vida.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica ou aconselhamento genético individualizado.









