Passar cotonete dentro do ouvido pode dar a impressão de higiene, mas frequentemente produz o efeito contrário. A haste pode empurrar a cera para regiões mais profundas do canal auditivo, favorecer a formação de um tampão e ainda machucar a pele ou o tímpano. Na maioria das pessoas, o ouvido possui mecanismos próprios para eliminar o excesso de cerúmen, sem necessidade de introduzir objetos no canal.
Por que o cotonete pode deixar a cera ainda mais presa?
O cerúmen, popularmente chamado de cera, é produzido principalmente na parte externa do canal auditivo. Ao introduzir um cotonete, é possível retirar um pouco da cera que está próxima da entrada, mas outra parte pode ser empurrada para dentro. Com a repetição do hábito, esse material pode ficar compactado e formar o chamado cerume impactado.
A Academia Americana de Otorrinolaringologia explica que cotonetes frequentemente empurram a cera mais profundamente e podem piorar uma obstrução. Quanto mais fundo a haste é introduzida, maior também é a possibilidade de provocar lesões no canal auditivo ou atingir acidentalmente o tímpano.
Se a cera não é retirada, como o ouvido fica limpo?
A cera não é simplesmente sujeira. Ela ajuda a lubrificar a pele do canal e retém partículas que entram no ouvido. Aos poucos, o cerúmen e as células da pele migram em direção à abertura do canal auditivo, processo que também é favorecido pelos movimentos da mandíbula ao falar e mastigar.
Por isso, a presença de cera sem sintomas não significa que seja necessário removê-la. A diretriz clínica sobre cerume impactado da Academia Americana de Otorrinolaringologia recomenda não tratar rotineiramente a cera quando ela não causa sintomas nem impede o exame adequado do ouvido.

Qual é a forma mais segura de fazer a higiene?
Para a rotina, a limpeza deve se concentrar na região externa e visível da orelha. Depois do banho, uma toalha macia pode ser suficiente para retirar a umidade e o material que já chegou naturalmente à parte de fora. Não é necessário tentar alcançar o interior do canal.
Alguns cuidados ajudam a evitar problemas:
- não introduzir cotonetes dentro do canal auditivo;
- não usar grampos, pinças, tampas de caneta ou outros objetos para retirar cera;
- não tentar remover à força uma cera que parece estar presa;
- procurar orientação antes de fazer irrigação ou usar gotas, principalmente se houver histórico de perfuração do tímpano ou cirurgia no ouvido.
O Tua Saúde também explica que o uso frequente de cotonete pode favorecer o cerume impactado, situação em que o excesso de cera bloqueia o canal e pode provocar sintomas.
Como perceber que a cera virou um problema?
Quando se acumula em excesso, o cerúmen pode obstruir parcialmente ou totalmente o canal auditivo. Os sintomas possíveis incluem:
- sensação de ouvido tampado ou cheio;
- audição abafada ou redução da audição;
- zumbido;
- coceira;
- dor ou desconforto;
- tontura em algumas pessoas.
Esses sinais não confirmam sozinhos que existe um tampão de cera. Infecções e outras alterações do ouvido podem produzir sintomas parecidos, e insistir na limpeza com cotonete pode dificultar ainda mais a situação.

Quando é melhor procurar um otorrino?
É indicado procurar avaliação quando houver sensação persistente de ouvido entupido, diminuição da audição, dor, secreção, sangramento, febre ou tontura importante. Perda súbita de audição merece avaliação médica rápida, pois nem sempre está relacionada à cera. O otorrinolaringologista pode examinar o canal e o tímpano e, se houver cerume impactado, escolher a forma adequada de removê-lo.
Assim, abandonar o cotonete dentro do canal não significa deixar de cuidar dos ouvidos. Na maioria das vezes, significa justamente permitir que o mecanismo natural de limpeza funcione e evitar que um hábito aparentemente inofensivo transforme a cera normal em um problema.
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui avaliação médica ou orientação individual de um profissional de saúde.









