Nem toda hérnia de disco precisa de cirurgia. Em alguns pacientes com dor irradiada para a perna ou o braço, procedimentos minimamente invasivos podem ser considerados quando medicamentos e fisioterapia não controlam bem os sintomas. Injeções epidurais podem reduzir a dor por semanas ou alguns meses em casos selecionados, mas o benefício varia e não elimina a hérnia. A radiofrequência também é utilizada em alguns tipos de dor da coluna, porém sua indicação depende da origem exata da dor e não é equivalente ao bloqueio epidural.
Como funciona o bloqueio epidural para hérnia de disco?
O bloqueio ou infiltração epidural aplica medicamentos, geralmente anestésico e corticoide, próximos à região onde uma raiz nervosa está inflamada ou comprimida. O objetivo é diminuir a inflamação e aliviar sintomas como dor ciática, formigamento e dor que se espalha pela perna ou pelo braço.
Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2024 sobre injeções epidurais na ciática por hérnia de disco encontrou redução da dor no curto prazo, até três meses, e também no período de até seis meses. Os pesquisadores, porém, observaram que o efeito de longo prazo foi limitado e que a melhora funcional não foi tão consistente quanto o alívio da dor.
Isso significa que a dor ficará meses sem voltar?
Não necessariamente. Algumas pessoas apresentam melhora importante por semanas ou meses, enquanto outras têm benefício pequeno ou temporário. O resultado depende da localização da hérnia, intensidade da inflamação, duração dos sintomas e características individuais. Por isso, o procedimento não deve ser apresentado como uma solução garantida.
O Tua Saúde explica como é feita a infiltração na coluna e destaca que ela pode ser indicada em casos de hérnia de disco e dor ciática quando medidas como medicamentos e fisioterapia não foram suficientes. O procedimento costuma ser realizado com auxílio de exames de imagem para orientar o posicionamento da agulha.

E a radiofrequência, serve para qualquer hérnia de disco?
Não. Radiofrequência é um nome usado para diferentes técnicas que aplicam energia próxima a estruturas responsáveis pela transmissão da dor. Algumas modalidades são utilizadas principalmente para dores provenientes das articulações da coluna ou de determinados nervos, enquanto outras vêm sendo estudadas para quadros de dor radicular.
Por isso, não é correto considerar radiofrequência e bloqueio epidural como tratamentos intercambiáveis para toda hérnia. O médico precisa primeiro identificar qual estrutura está produzindo os sintomas. A própria Sociedade Brasileira de Coluna inclui abordagens para dor e métodos não invasivos entre as áreas de discussão da especialidade, mas a indicação de cada técnica depende da avaliação clínica e dos exames de cada paciente.
Quando é possível tentar um tratamento sem cirurgia?
Na ausência de alterações neurológicas graves, a maioria dos pacientes costuma iniciar o tratamento de forma conservadora. Um consenso da World Federation of Neurosurgical Societies sobre hérnia de disco lombar recomenda medidas conservadoras como primeira abordagem quando não há síndrome da cauda equina, déficit motor ou outra alteração neurológica importante.
Dependendo do caso, o tratamento pode reunir:
- medicamentos orientados pelo médico;
- fisioterapia e exercícios individualizados;
- adaptação temporária das atividades;
- infiltrações em pacientes selecionados;
- acompanhamento da força, sensibilidade e evolução da dor.

Quando o procedimento não deve atrasar uma avaliação cirúrgica?
Procedimentos para controle da dor não devem ser usados para adiar uma cirurgia quando existem sinais de compressão neurológica importante. Perda progressiva de força, dificuldade importante para caminhar, alteração do controle da urina ou das fezes e dormência na região entre as pernas precisam de avaliação rápida. Recomendações internacionais também consideram cirurgia quando há síndrome da cauda equina, déficit neurológico progressivo ou falha relevante do tratamento conservador.
Assim, infiltração epidural ou radiofrequência podem ter lugar no tratamento de determinados pacientes, mas a escolha depende da origem da dor e do exame neurológico. O objetivo é controlar os sintomas com segurança sem deixar passar situações em que descomprimir o nervo cirurgicamente pode ser necessário.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou indicação de tratamento por ortopedista, neurocirurgião ou especialista em coluna.









