Gases e barriga estufada costumam aparecer por uma combinação de ar engolido, fermentação de alimentos no intestino, prisão de ventre e sensibilidade digestiva. Comer mais devagar, diminuir bebidas gaseificadas e chicletes, caminhar depois das refeições e observar quais alimentos desencadeiam o desconforto são medidas simples que podem ajudar. Quando o inchaço se torna persistente ou vem acompanhado de perda de peso, porém, é importante investigar a causa.
Comer devagar realmente diminui os gases?
Sim. Parte dos gases presentes no aparelho digestivo vem do ar engolido enquanto se come ou bebe. Quanto maior a quantidade de ar deglutida, maior pode ser a ocorrência de arrotos, sensação de pressão e distensão abdominal. Fazer as refeições com pressa e conversar enquanto mastiga pode aumentar essa entrada de ar.
O National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases, dos Estados Unidos, recomenda comer mais lentamente e evitar falar enquanto se come ou bebe para reduzir a quantidade de ar engolida. Sentar-se para fazer a refeição com calma também pode facilitar essa mudança de hábito.
Por que refrigerantes e chicletes deixam a barriga mais estufada?
Bebidas gaseificadas já contêm gás e podem aumentar a sensação de estômago cheio e os arrotos. Mascar chiclete com frequência também favorece a deglutição repetida de pequenas quantidades de ar. O mesmo pode acontecer ao chupar balas duras ou beber líquidos constantemente pelo canudo.
Para quem apresenta desconforto frequente, vale testar algumas mudanças:
- reduzir refrigerantes, água com gás e outras bebidas gaseificadas;
- evitar mascar chiclete por períodos prolongados;
- comer sem pressa e mastigar bem;
- observar se refeições muito grandes pioram os sintomas.
O Tua Saúde explica que o excesso de gases está entre as causas comuns de barriga inchada, mas também destaca que prisão de ventre e diferentes problemas gastrointestinais podem provocar o mesmo sintoma.

Caminhar depois da refeição pode aliviar o estufamento?
Uma caminhada leve pode ajudar algumas pessoas. O movimento corporal favorece o deslocamento dos gases pelo intestino e pode reduzir a sensação de retenção. Não é necessário fazer exercício intenso imediatamente depois de comer: caminhar confortavelmente por alguns minutos já pode ser suficiente.
Em um ensaio clínico publicado em 2021, participantes com distensão abdominal funcional foram orientados a caminhar durante 10 a 15 minutos após as refeições por quatro semanas. Houve melhora de sintomas gastrointestinais, incluindo sensação de estufamento e plenitude após comer. O resultado sugere benefício da atividade leve, mas não significa que a caminhada resolva todas as causas de inchaço.
É preciso cortar feijão e vegetais que produzem gases?
Não necessariamente. Feijão, lentilha, brócolis, couve-flor, cebola e outros alimentos contêm carboidratos que podem ser fermentados pelas bactérias intestinais. Essa fermentação naturalmente produz gases, mas a intensidade varia bastante entre as pessoas.
Em vez de retirar vários alimentos ao mesmo tempo, pode ser mais útil observar quais deles provocam sintomas e em que quantidade. Deixar leguminosas de molho, descartar a água e cozinhá-las adequadamente pode melhorar sua tolerância em algumas pessoas. Restrições amplas e prolongadas não devem ser feitas sem necessidade, principalmente porque feijões, verduras e legumes também fornecem fibras, vitaminas e minerais importantes.

Quando a barriga estufada precisa ser investigada?
Inchaço ocasional depois de uma refeição costuma ter pouca importância quando melhora espontaneamente. Já uma barriga que permanece estufada durante vários dias, piora progressivamente ou aparece repetidamente merece atenção, pois intolerâncias alimentares, prisão de ventre, síndrome do intestino irritável e outras condições podem estar envolvidas.
Procure avaliação médica principalmente se o estufamento vier acompanhado de perda de peso sem explicação, sangue nas fezes, vômitos persistentes, febre, dor abdominal importante, anemia ou alteração recente e persistente do hábito intestinal. Nessas situações, apenas modificar a alimentação ou tomar remédios para gases pode atrasar a identificação da causa.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista.








