Camomila, erva-doce e hortelã estão entre as plantas mais usadas para desconfortos digestivos leves, como sensação de estômago pesado, gases e cólicas. Alguns de seus compostos apresentam ação antiespasmódica ou relaxante sobre o trato gastrointestinal, mas a força das evidências varia entre as plantas e entre chá, extrato e óleo essencial. Além disso, ser natural não significa que o uso seja livre de contraindicações ou interações.
Quais chás podem ajudar na má digestão?
A hortelã-pimenta, especialmente a espécie Mentha x piperita, é uma das plantas mais estudadas para sintomas gastrointestinais. O mentol e outros componentes de seu óleo essencial podem relaxar a musculatura do aparelho digestivo e reduzir espasmos. Camomila e erva-doce também são tradicionalmente utilizadas para desconfortos como gases, cólicas e sensação de digestão difícil.
A Anvisa reúne no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira monografias de plantas medicinais com informações sobre preparação, indicações, formas de uso e advertências. Esse tipo de orientação é importante porque espécies diferentes, partes diferentes da planta e preparações mais concentradas não devem ser tratadas como se tivessem exatamente o mesmo efeito.
O que os estudos mostram sobre a hortelã?
Boa parte das pesquisas mais consistentes não avaliou simplesmente uma xícara de chá, mas preparações padronizadas contendo óleo de hortelã. Uma revisão científica sobre o uso do óleo de hortelã em gastroenterologia descreveu efeitos relaxantes e antiespasmódicos sobre diferentes regiões do trato gastrointestinal, com possíveis aplicações em distúrbios digestivos funcionais.
Outra revisão sistemática publicada pela Cochrane encontrou benefício para sintomas da dispepsia funcional com combinações de óleo de hortelã e alcarávia. Isso, porém, não significa que o chá caseiro produza exatamente o mesmo efeito, já que concentração, composição e dose são diferentes.

E camomila e erva-doce funcionam?
A camomila contém substâncias com propriedades antiespasmódicas e é tradicionalmente empregada para desconfortos digestivos. A erva-doce também apresenta compostos aromáticos que podem ajudar no relaxamento da musculatura gastrointestinal e na sensação de gases. Entretanto, há menos evidências clínicas robustas demonstrando que o chá isolado dessas plantas trate especificamente a má digestão.
Isso não impede o consumo ocasional por adultos saudáveis, quando não existem contraindicações, mas ajuda a evitar expectativas exageradas. No Tua Saúde, também é possível conhecer outras opções de chás utilizados para má digestão e cuidados no preparo.
Quando um chá aparentemente simples exige cuidado?
Plantas medicinais também possuem substâncias capazes de produzir efeitos no organismo. Por isso, o cuidado deve ser maior em pessoas que usam medicamentos continuamente, têm doenças crônicas, apresentam alergias ou estão em situações especiais.
Antes do consumo frequente, é especialmente importante buscar orientação quando houver:
- gravidez ou amamentação;
- uso de anticoagulantes ou outros medicamentos contínuos;
- histórico de alergia a plantas medicinais;
- doença no fígado ou nos rins;
- necessidade de consumir extratos, cápsulas ou óleos essenciais em vez do chá tradicional.
A própria Anvisa alerta que plantas medicinais precisam ser usadas considerando a espécie correta, a parte utilizada, a preparação e suas advertências. No caso da camomila, por exemplo, documentos técnicos da agência recomendam cautela durante a gestação. Por isso, gestantes não devem iniciar o uso medicinal de chás por conta própria.

Quando a má digestão não deve ser tratada apenas com chá?
Um chá pode ajudar em desconfortos ocasionais depois de uma refeição, mas sintomas frequentes merecem investigação. Dor abdominal persistente, dificuldade para engolir, vômitos repetidos, sangue no vômito ou nas fezes, perda de peso sem explicação e sensação de estômago cheio após pequenas quantidades de comida são sinais que justificam avaliação médica.
Também vale procurar orientação quando a “má digestão” aparece repetidamente por semanas ou exige o uso constante de chás, antiácidos ou outros produtos para melhorar. Nesses casos, refluxo, gastrite, dispepsia funcional e outras condições podem precisar ser investigados. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica nem orientação individual sobre o uso de plantas medicinais.








