A relação entre ultraprocessados fígado ganhou um novo dado importante: em uma coorte acompanhada por cinco anos, o risco de gordura no fígado associada a alterações metabólicas aumentou conforme o consumo desses alimentos subia, especialmente até cerca de 125 gramas por dia.
Por que o fígado sente a dieta
O fígado participa do processamento de gorduras, açúcares e energia. Quando a rotina alimentar é rica em produtos muito calóricos, pobres em fibras e fáceis de consumir em excesso, o órgão pode acumular gordura com mais facilidade.
Esse acúmulo é hoje chamado de doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, ou MASLD. Ela costuma estar ligada a resistência à insulina, excesso de peso, triglicerídeos altos, pressão alta e maior risco cardiovascular.
O que a coorte encontrou
Segundo o estudo de coorte prospectivo Ultra-processed food consumption and the risk of developing metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease (MASLD), publicado no Journal of Health, Population and Nutrition, pesquisadores acompanharam 5.058 adultos iranianos por uma mediana de cinco anos.
Ao final, foram identificados 562 novos casos de MASLD. No modelo totalmente ajustado, o grupo com maior consumo de ultraprocessados teve cerca de duas vezes mais chance de desenvolver a condição em comparação ao grupo com menor consumo. A análise também apontou aumento de risco até aproximadamente 125 g por dia, com platô depois desse ponto.

O que significa o platô de 125 gramas
O platô não quer dizer que comer acima de 125 g por dia seja seguro. Ele indica que, no conjunto estudado, o risco subiu mais claramente até esse nível e depois deixou de aumentar na mesma proporção.
- 125 g podem caber em poucos itens do dia, como biscoitos, salgadinhos ou bebida açucarada;
- O risco pode variar conforme peso, atividade física, diabetes, colesterol e pressão arterial;
- O estudo é observacional, portanto mostra associação, não prova causa direta;
- A gordura corporal explicou parte da relação, mas não toda a associação observada.
Quais ultraprocessados merecem atenção
Ultraprocessados costumam ter muitos ingredientes, aditivos, açúcar, sódio, gorduras de pior qualidade e pouca saciedade. Por isso, podem facilitar ganho de peso e piora metabólica.
- Refrigerantes, bebidas adoçadas e sucos artificiais;
- Biscoitos recheados, bolinhos, chocolates e doces embalados;
- Salgadinhos, batatas chips e snacks prontos;
- Embutidos, hambúrgueres industrializados, pizza pronta e nuggets;
- Margarina, maionese industrializada e alimentos prontos para aquecer.

Como reduzir o risco no dia a dia
A mensagem prática não é cortar tudo de uma vez, mas reduzir a frequência e trocar parte desses produtos por alimentos mais simples, como arroz, feijão, ovos, peixes, frango, frutas, verduras, legumes, castanhas e iogurte natural.
Também vale investigar causas e sintomas de gordura no fígado quando há alterações em exames, diabetes, obesidade ou cansaço persistente. Quanto mais cedo o risco é reconhecido, maior a chance de proteger o fígado com mudanças sustentáveis.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, hepatologista, nutricionista ou outro profissional de saúde.









