O magnésio treonato ganhou destaque por ser uma forma estudada para atuar no cérebro, especialmente em memória, desempenho cognitivo e sono. Um ensaio clínico recente observou melhora em testes de cognição e em alguns indicadores subjetivos do sono, mas os dados não significam que o suplemento funcione igual para todos.
Por que o treonato chama atenção
O magnésio participa da transmissão nervosa, da contração muscular, do equilíbrio do sistema nervoso e de reações ligadas à produção de energia. A diferença do treonato está na combinação com o L-treonato, estudada por sua possível maior disponibilidade no sistema nervoso central.
Por isso, o foco dessa forma não é apenas relaxamento muscular. O interesse maior está em memória, aprendizado, atenção e qualidade do sono, especialmente quando há queixas leves de sono ruim associadas a cansaço mental.

O que o estudo científico mediu
Segundo o ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo The effects of magnesium L-threonate (Magtein®) on cognitive performance and sleep quality in adults, publicado na Frontiers in Nutrition, 100 adultos de 18 a 45 anos com insatisfação autorrelatada com o sono receberam 2 g por dia de magnésio L-treonato ou placebo por 6 semanas.
Os pesquisadores avaliaram cognição pelo NIH Cognitive Toolbox, teste de Raven, tempo de reação, questionários de sono e bem-estar, além de dados de um anel de monitoramento do sono. O grupo do magnésio treonato teve maior melhora na cognição total, com destaque para memória de trabalho e tendência de melhora em memória episódica.
O que mudou na memória
Os resultados foram mais claros em tarefas que exigem organizar informações e lembrar sequências. Isso sugere possível ação em funções ligadas ao raciocínio prático e à memória usada no dia a dia.
- Cognição total: aumento médio de 8,40 pontos no grupo treonato, contra 5,60 no placebo;
- Memória de trabalho: melhora média de 6,00 pontos, contra 1,38 no placebo;
- Memória episódica: melhora maior no grupo treonato, mas com resultado em tendência estatística;
- Idade cognitiva estimada: diferença aproximada de 7,5 anos a favor do grupo treonato;
- Raven: não houve diferença significativa entre os grupos.
O que apareceu no sono
No sono, o resultado foi mais cauteloso. Houve melhora no questionário de prejuízo relacionado ao sono, que mede impacto do sono ruim no dia, mas não houve diferença consistente nas medidas objetivas do anel, como tempo total de sono e eficiência do sono.
- Melhora maior em prejuízo diurno relacionado ao sono;
- Sem diferença clara em distúrbios de sono no grupo total;
- Sem mudança relevante no tempo total de sono medido pelo anel;
- Redução da frequência cardíaca durante o sono;
- Aumento de variabilidade da frequência cardíaca, marcador ligado ao equilíbrio autonômico.

Antes de suplementar
O magnésio treonato pode ser uma opção a discutir com médico ou nutricionista quando há queixas de memória, foco ou sono ruim, mas não deve substituir a investigação de insônia, ansiedade, apneia do sono ou deficiência nutricional. Veja também quando o magnésio treonato costuma ser indicado.
O estudo foi curto, envolveu adultos saudáveis e recebeu financiamento da empresa relacionada ao produto testado, o que reforça a necessidade de interpretar os achados com cautela. Pessoas com doença renal, uso de remédios contínuos ou gravidez devem evitar suplementar sem orientação profissional.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









