O fígado gorduroso, hoje chamado com frequência de MASLD quando está ligado a alterações metabólicas, pode ter relação com peso, glicose, triglicerídeos e hábitos alimentares. Um estudo de 2026 trouxe um ponto que chama atenção: o café sem açúcar, especialmente com cafeína, foi associado a menor risco dessa condição, enquanto versões adoçadas não mostraram o mesmo efeito.
O que é MASLD
MASLD significa doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica. Na prática, é o acúmulo de gordura no fígado em pessoas que também apresentam fatores como sobrepeso, diabetes, colesterol alto, triglicerídeos altos ou pressão alta.
O termo substitui parte do que antes era conhecido como gordura no fígado não alcoólica. A mudança reforça que o problema não depende apenas do álcool, mas de um conjunto de alterações metabólicas que podem evoluir silenciosamente.
O que o estudo de 2026 avaliou
O estudo observou diferentes formas de consumo de café e o risco de desenvolver MASLD ao longo do tempo. A pesquisa considerou café sem açúcar, adoçado com açúcar, adoçado artificialmente, com cafeína e descafeinado.
- Foram avaliados 185.437 participantes do UK Biobank;
- Todos estavam sem MASLD no início do acompanhamento;
- O seguimento mediano foi de 10,49 anos;
- Durante o período, foram registrados 1.536 casos de MASLD;
- O consumo alimentar foi analisado por recordatórios de 24 horas.

Estudo científico sobre café e fígado gorduroso
Segundo o estudo de coorte prospectivo Different types of sweetened coffee consumption, genetic predictor of gut microbe, and the risk of metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease, publicado no Nutrition Journal, pessoas que consumiam mais de 2,5 porções por dia de café sem açúcar tiveram menor risco de MASLD em comparação a não consumidores.
O achado foi mais claro para o café sem açúcar com cafeína. Já o café adoçado com açúcar ou adoçantes artificiais não apresentou associação significativa com menor risco, sugerindo que a forma de preparo pode influenciar os possíveis benefícios metabólicos da bebida.
Por que o açúcar pode mudar o efeito
O café contém compostos bioativos, como cafeína e polifenóis, que podem participar do metabolismo da gordura e da glicose. Porém, quando recebe açúcar, caldas, leite condensado ou acompanhamentos doces, a bebida pode virar uma fonte extra de calorias e carboidratos simples.
Esse excesso pode piorar resistência à insulina, triglicerídeos e gordura abdominal, fatores diretamente ligados ao fígado gorduroso. Por isso, o possível benefício do café não compensa uma rotina alimentar rica em açúcar e ultraprocessados.

Como consumir com mais equilíbrio
Para quem já gosta de café, pequenas mudanças podem tornar o hábito mais favorável ao metabolismo. O ideal é pensar no conjunto da alimentação, e não tratar o café como solução isolada.
- Preferir café sem açúcar ou reduzir o açúcar aos poucos;
- Evitar xaropes, chantilly, leite condensado e cremes açucarados;
- Não exagerar na cafeína se houver ansiedade, insônia ou palpitações;
- Associar o hábito a alimentação rica em fibras, proteínas e gorduras boas;
- Investigar enzimas hepáticas alteradas, diabetes e colesterol alto com orientação médica.
O tratamento do fígado gorduroso costuma envolver perda de peso quando indicada, atividade física, controle da glicose e ajuste da alimentação. O café pode fazer parte desse contexto, mas não substitui mudanças de estilo de vida nem acompanhamento profissional.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista.









