MASLD é o novo termo usado para descrever o fígado gorduroso ligado a alterações metabólicas, como excesso de peso, resistência à insulina, diabetes tipo 2, triglicerídeos altos e pressão alta. A mudança ajuda a olhar o problema de forma mais ampla, indo além da ideia antiga de “gordura no fígado” isolada.
O que significa MASLD
MASLD significa doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica. Na prática, indica acúmulo de gordura no fígado em pessoas que também apresentam pelo menos um fator de risco cardiometabólico.
A mudança de nome substitui, em muitos casos, o termo antigo doença hepática gordurosa não alcoólica. O novo conceito busca reduzir estigma e reforçar que o fígado gorduroso costuma estar ligado ao metabolismo do corpo inteiro.
O que mudou no olhar médico
Com o conceito de MASLD, a avaliação não deve se limitar ao ultrassom ou às enzimas hepáticas. O foco passa a incluir risco de diabetes, obesidade abdominal, colesterol, pressão e fibrose no fígado.
- Diabetes tipo 2 passa a ser visto como um fator central de risco;
- Excesso de peso e gordura abdominal ajudam a explicar a origem metabólica;
- ALT e AST normais não excluem risco hepático;
- A presença de fibrose é um dos pontos mais importantes para prever complicações;
- O cuidado precisa integrar fígado, coração e metabolismo.

O que diz o estudo científico
Segundo a diretriz clínica conjunta EASL-EASD-EASO Clinical Practice Guidelines on the Management of Metabolic Dysfunction-Associated Steatotic Liver Disease (MASLD), publicada em 2024 no Journal of Hepatology, a MASLD deve ser avaliada com atenção aos fatores cardiometabólicos e ao risco de fibrose.
O documento reforça que pessoas com diabetes, obesidade ou alterações metabólicas têm maior risco de progressão da doença. Por isso, a investigação pode incluir exames não invasivos, como índices calculados pelo sangue e métodos de imagem, para estimar cicatrizes no fígado.
Quando exames normais confundem
Um dos pontos mais importantes é que enzimas hepáticas normais nem sempre significam fígado saudável. Algumas pessoas com MASLD podem ter ALT e AST dentro do intervalo de referência e ainda assim apresentar gordura, inflamação ou fibrose.
- ALT e AST podem oscilar e não mostram todo o risco sozinhas;
- Ultrassom pode detectar gordura, mas não mede bem a fibrose;
- Pessoas com diabetes podem precisar de avaliação mais cuidadosa;
- Perda de peso, exercício e controle glicêmico continuam sendo pilares do cuidado;
- Álcool, remédios e outras doenças do fígado também devem ser considerados.

Como agir a partir do diagnóstico
Quem recebe diagnóstico de MASLD deve conversar com o médico sobre peso, glicose, colesterol, pressão arterial, circunferência abdominal e risco de fibrose. O cuidado pode envolver clínico geral, endocrinologista, gastroenterologista, hepatologista e nutricionista.
Na maioria dos casos, o tratamento começa com mudanças sustentáveis, como alimentação equilibrada, atividade física regular, perda de peso quando indicada e controle do diabetes. Veja também sintomas, causas e cuidados para gordura no fígado.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









