A gordura no fígado passou por uma mudança importante de nome na medicina: o termo MASLD vem substituindo a antiga expressão “doença hepática gordurosa não alcoólica”. A troca não é apenas estética, porque coloca no centro do diagnóstico a relação entre acúmulo de gordura no fígado e alterações metabólicas.
O que significa MASLD
MASLD é a sigla em inglês para metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease, ou doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica. Na prática, descreve a presença de gordura no fígado associada a fatores como obesidade, diabetes tipo 2, pressão alta ou alteração do colesterol.
A mudança ajuda a explicar melhor a causa mais comum por trás do problema. Em vez de definir a doença apenas pelo que ela não é, ou seja, “não alcoólica”, o novo termo destaca o papel da resistência à insulina, do excesso de gordura corporal e do risco cardiometabólico.
Por que o nome mudou
O nome antigo podia causar confusão, porque focava na ausência de consumo importante de álcool e não deixava claro que a doença tem forte ligação com o metabolismo. Além disso, o termo “gorduroso” passou a ser evitado em alguns contextos por poder gerar estigma.
- MASLD valoriza a presença de fatores metabólicos no diagnóstico.
- O termo ajuda médicos e pacientes a entenderem que o fígado reflete a saúde metabólica.
- A nova classificação também separa melhor situações em que álcool e disfunção metabólica coexistem.
- A mudança pode facilitar pesquisas, acompanhamento e comunicação sobre prevenção.

O que diz um estudo científico
Segundo o artigo científico de análise From NAFLD to MASLD: implications of the new nomenclature for preclinical and clinical research, publicado na Nature Metabolism, a nova nomenclatura busca alinhar melhor o diagnóstico à biologia da doença e aos fatores metabólicos que impulsionam seu desenvolvimento.
O texto destaca que a troca de NAFLD para MASLD não deve ser vista apenas como mudança de sigla. Ela reforça que a investigação precisa olhar para diabetes, obesidade, triglicerídeos, colesterol, pressão arterial e risco cardiovascular, não apenas para enzimas do fígado ou ultrassom.
Quem deve ficar mais atento
A MASLD pode ser silenciosa por anos, por isso pessoas com alterações metabólicas devem conversar com um profissional de saúde sobre exames e acompanhamento, mesmo sem dor ou sintomas digestivos.
- Pessoas com diabetes tipo 2 ou resistência à insulina.
- Quem tem excesso de peso, principalmente gordura abdominal.
- Pessoas com triglicerídeos altos, HDL baixo ou colesterol alterado.
- Quem tem pressão alta ou histórico familiar de doença metabólica.
- Pessoas com alterações persistentes em exames do fígado.

O que muda no cuidado
O cuidado passa a ser mais amplo. Não basta apenas “ver se tem gordura no fígado”; é preciso avaliar o risco metabólico como um todo, incluindo glicose, pressão, colesterol, peso, circunferência abdominal e sinais de inflamação ou fibrose no fígado.
Na maioria dos casos, o tratamento envolve perda de peso quando indicada, alimentação equilibrada, atividade física regular e controle de diabetes, colesterol e pressão. Para entender melhor sintomas, causas e tratamento, veja também o conteúdo sobre gordura no fígado.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









