A MASH, antiga NASH, é uma forma mais grave de gordura no fígado, marcada por acúmulo de gordura, inflamação e risco de cicatrizes no órgão. A entrada de remédios usados contra obesidade nessa discussão acontece porque a perda de peso e a melhora metabólica podem reduzir parte da agressão que mantém a doença ativa.
Por que a obesidade pesa no fígado
O excesso de gordura corporal aumenta a resistência à insulina e favorece o acúmulo de gordura dentro das células do fígado. Com o tempo, isso pode gerar inflamação, lesão hepática e fibrose, que é a formação de cicatrizes no órgão.
Por isso, a MASH deixou de ser vista apenas como um problema “do fígado”. Ela faz parte de um quadro metabólico maior, que pode envolver obesidade, diabetes tipo 2, colesterol alto e aumento da circunferência abdominal.
O que mudou com a aprovação da FDA
Em 2024, a FDA aprovou o resmetirom como primeiro medicamento para adultos com MASH não cirrótica e fibrose moderada a avançada, sempre associado a dieta e exercício. Depois, em 2025, a agência também aprovou a semaglutida, na forma de Wegovy, para adultos com MASH e cicatrização hepática moderada a avançada.
Essa decisão colocou os medicamentos voltados ao controle do peso no centro da conversa sobre gordura no fígado. Segundo a FDA, o tratamento deve ser combinado com redução de calorias e aumento da atividade física, reforçando que o remédio não substitui mudanças no estilo de vida.

Estudo científico sobre semaglutida e MASH
Um dos dados que ajudou a sustentar essa nova fase veio do ensaio clínico Phase 3 Trial of Semaglutide in Metabolic Dysfunction-Associated Steatohepatitis, publicado no The New England Journal of Medicine. O estudo avaliou adultos com MASH e fibrose, comparando semaglutida semanal com placebo.
Segundo o estudo, a semaglutida aumentou a proporção de pacientes com resolução da MASH sem piora da fibrose, além de favorecer perda de peso e melhora de marcadores metabólicos. Isso ajuda a explicar por que um remédio conhecido pelo tratamento da obesidade passou a ser considerado também na saúde hepática.
Como esses remédios podem ajudar
Os medicamentos usados contra obesidade podem atuar em pontos que alimentam a MASH. O principal efeito esperado é a perda de peso, mas também podem ocorrer mudanças na glicose, na inflamação e na gordura acumulada no fígado.
- Redução da gordura corporal, especialmente quando associada a alimentação adequada.
- Melhora da resistência à insulina, comum em pessoas com MASH.
- Possível redução da gordura no fígado e da inflamação hepática.
- Menor risco metabólico em pessoas com obesidade e diabetes tipo 2.

Quem deve ter mais atenção
A MASH pode evoluir sem sintomas claros. Algumas pessoas só descobrem alterações em exames de sangue, ultrassom, elastografia ou avaliação com hepatologista. Entender melhor a gordura no fígado ajuda a reconhecer quando o acompanhamento deve ser mais próximo.
- Pessoas com obesidade ou aumento da barriga.
- Quem tem diabetes tipo 2, pré-diabetes ou colesterol alto.
- Pessoas com enzimas do fígado alteradas em exames de rotina.
- Quem recebeu diagnóstico de fibrose hepática ou MASH.
Apesar dos avanços, esses medicamentos não são indicados para todos e não devem ser usados sem prescrição. A escolha depende do grau de fibrose, doenças associadas, efeitos colaterais e disponibilidade do tratamento em cada país. Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









