A febre Oropouche é uma arbovirose que pode causar sintomas parecidos com dengue, como febre, dor de cabeça intensa e dores no corpo. Na gravidez, o tema ganhou atenção porque a possibilidade de transmissão vertical, quando o vírus passa da mãe para o bebê, ainda está sendo investigada por autoridades de saúde.
O que a OMS está investigando
A preocupação não significa que toda gestante com Oropouche terá complicações. O alerta existe porque foram relatados casos de perda gestacional, morte fetal e microcefalia em recém-nascidos, mas a relação direta com o vírus ainda precisa de mais estudos.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, há relatos de possível infecção fetal pelo vírus Oropouche no Brasil em 2024, mas ainda não é possível concluir que o vírus tenha sido a causa de todos os desfechos observados.
Sinais de Oropouche na gravidez
Os sintomas podem se confundir com outras arboviroses, por isso a avaliação médica é importante, principalmente em regiões com circulação do vírus ou após exposição a maruins e mosquitos.
- Febre de início súbito;
- Dor de cabeça forte e dor atrás dos olhos;
- Dores musculares e nas articulações;
- Náuseas, vômitos ou mal-estar intenso;
- Manchas na pele, tontura ou sensibilidade à luz.

O que um estudo científico mostrou
Um ponto importante para entender o alerta é que já existem relatos clínicos documentando a presença do vírus em situações graves durante a gestação. Segundo o relato de caso A Case of Vertical Transmission of Oropouche Virus in Brazil, publicado no New England Journal of Medicine, uma gestante com infecção por Oropouche teve morte fetal, com detecção do vírus em tecidos fetais.
Esse tipo de evidência reforça a necessidade de vigilância, mas não encerra a investigação. Ainda é preciso compreender melhor com que frequência a transmissão vertical acontece, em qual fase da gravidez o risco pode ser maior e quais fatores aumentam a chance de complicações.
Como reduzir o risco de picadas
Como não há vacina nem tratamento antiviral específico para Oropouche, a prevenção depende principalmente de evitar picadas, especialmente em áreas com casos confirmados.
- Usar repelente liberado para gestantes, conforme orientação médica;
- Preferir roupas compridas e claras em áreas de maior exposição;
- Instalar telas finas em portas, janelas e berços;
- Evitar locais com acúmulo de matéria orgânica úmida;
- Procurar atendimento se houver febre após picadas de insetos.

O que fazer diante da suspeita
A gestante com febre, dor no corpo ou dor de cabeça intensa deve procurar atendimento e informar se mora ou esteve em área com circulação de arboviroses. A confirmação pode exigir exames laboratoriais, já que dengue, chikungunya, zika e febre Oropouche podem ser parecidas no início.
Também é importante evitar automedicação, especialmente anti-inflamatórios, e manter o pré-natal em dia. Em caso de sangramentos, dor abdominal forte, redução dos movimentos do bebê ou piora rápida do estado geral, a avaliação deve ser imediata.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ou profissional de saúde.









