Dormir mal pode afetar mais do que a disposição no dia seguinte. Um estudo recente sugere que a má qualidade do sono pode acelerar a progressão de doenças cardio-renais-metabólicas, um grupo de condições que envolve coração, rins e metabolismo, como hipertensão, diabetes tipo 2, doença renal crônica e doenças cardiovasculares.
O que são doenças cardio-renais-metabólicas
As doenças cardio-renais-metabólicas acontecem quando alterações do metabolismo, dos rins e do coração se conectam e aumentam o risco de complicações. Isso inclui pressão alta, obesidade, resistência à insulina, diabetes, doença renal e insuficiência cardíaca.
Essas condições podem evoluir de forma silenciosa por anos. Por isso, fatores do estilo de vida, como alimentação, atividade física e sono, vêm sendo estudados como parte importante da prevenção e do controle.
O que diz o estudo recente
Segundo o estudo de coorte Sleep traits and the longitudinal progression of cardio-renal-metabolic multimorbidity: A prospective study from UK-Biobank, publicado em 2025, uma pior saúde do sono foi associada à progressão da multimorbidade cardiometabólica e renal e a maior mortalidade.
Os pesquisadores avaliaram diferentes dimensões do sono, como duração, cronotipo, insônia, ronco e sonolência diurna. O resultado reforça que o sono deve ser observado junto com exames, pressão arterial, glicose, função renal e risco cardiovascular.

Como o sono ruim pode piorar o risco
A falta de sono ou o sono de má qualidade podem desregular hormônios, aumentar a atividade do sistema nervoso, favorecer inflamação e dificultar o controle da glicose. Com o tempo, esses efeitos podem contribuir para pressão alta, ganho de peso e resistência à insulina.
Além disso, ronco intenso e pausas na respiração durante a noite podem indicar apneia do sono, condição associada a maior risco cardiovascular e pior controle da pressão.
Sinais de sono que merecem atenção
Nem todo cansaço significa doença, mas alguns sinais sugerem que a qualidade do sono pode estar prejudicando a saúde. Eles merecem atenção principalmente em pessoas com hipertensão, diabetes, obesidade ou doença renal.
- Insônia frequente ou dificuldade para manter o sono;
- Ronco alto, engasgos ou pausas respiratórias à noite;
- Sonolência excessiva durante o dia;
- Dormir muito pouco ou demais de forma persistente;
- Acordar cansado mesmo após várias horas na cama.
Veja também orientações sobre sono e hábitos que podem ajudar a dormir melhor.

Como proteger coração, rins e metabolismo
Melhorar o sono deve fazer parte de uma estratégia mais ampla, junto com controle da pressão, alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento médico. Pequenos ajustes podem ajudar a regular o relógio biológico.
- Manter horários regulares para dormir e acordar;
- Evitar cafeína no fim da tarde e à noite;
- Reduzir telas e luz forte antes de dormir;
- Evitar álcool como “ajuda” para dormir;
- Procurar avaliação em caso de ronco alto ou sonolência intensa.
O estudo reforça que o sono não é apenas descanso. Ele pode influenciar a velocidade com que problemas metabólicos, renais e cardíacos avançam, especialmente quando outros fatores de risco já estão presentes.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









