Crianças com TDAH frequentemente têm dificuldade para se relacionar com colegas, o que pode gerar isolamento e baixa autoestima ao longo do tempo. No entanto, pesquisas recentes mostram que o acompanhamento próximo e individualizado de um professor é capaz de transformar a experiência social dessas crianças na escola. Mais do que conhecer o diagnóstico, o que realmente faz diferença é conhecer a criança como indivíduo e ajudá-la a se integrar no convívio com os demais.
Por que crianças com TDAH têm mais dificuldade nas relações sociais
O TDAH afeta funções como atenção, controle de impulsos e regulação emocional. Na prática, isso faz com que a criança tenha dificuldade para esperar a vez em brincadeiras, interpretar sinais sociais e manter conversas sem interromper os outros. Esses comportamentos podem afastar colegas e gerar conflitos frequentes.
Além disso, muitas crianças com TDAH participam menos de atividades coletivas na escola, o que reduz suas chances de criar vínculos. Sem apoio adequado, essas dificuldades tendem a se agravar e podem acompanhar a criança até a adolescência e a vida adulta.
O papel do professor no desenvolvimento social da criança
De acordo com uma pesquisa realizada na Universidade de Bergen, na Noruega, professores que conhecem bem seus alunos com TDAH conseguem identificar o momento certo de intervir nas interações sociais. Esse acompanhamento contínuo e personalizado permite que o educador atue tanto nos bastidores quanto diretamente nas situações do dia a dia.
Um dado interessante do estudo é que os professores entrevistados não se concentravam no diagnóstico em si. Para eles, o mais importante era entender a personalidade, os pontos fortes e a forma de cada criança se relacionar com o grupo.

Estudo qualitativo confirma a importância do vínculo entre professor e aluno
Segundo o estudo qualitativo “They are just as different as the rest of us”, publicado no International Journal of Qualitative Studies on Health and Well-being em 2025, professores do ensino fundamental percebem que cada criança com TDAH é única e exige abordagens diferentes. A pesquisa, conduzida por Marie Munch e colaboradores da Universidade de Bergen, entrevistou educadores em cinco grupos focais e identificou dois grandes temas: a necessidade de compreender as necessidades individuais dentro do contexto social e a importância de adaptar as estratégias de apoio de forma contínua. Esses achados reforçam que o vínculo professor-aluno é uma ferramenta poderosa para a inclusão social de crianças com TDAH. Confira o estudo completo neste link.
Estratégias que os professores usam para ajudar na socialização
Os educadores participantes da pesquisa norueguesa compartilharam diversas formas de facilitar a integração social dos alunos com TDAH. Entre as principais estratégias relatadas, destacam-se:
- Montar grupos de brincadeiras com crianças que combinam entre si, favorecendo interações positivas
- Escolher atividades que valorizem os pontos fortes da criança, permitindo que ela se destaque diante dos colegas
- Observar a disposição e o humor da criança a cada dia para ajustar o nível de apoio necessário
- Trabalhar com toda a turma para promover aceitação e empatia em relação às diferenças
O que a família pode fazer em conjunto com a escola
O suporte em casa complementa o trabalho do professor. Algumas atitudes dos pais e responsáveis que contribuem para o desenvolvimento social da criança incluem:
- Manter diálogo frequente com os educadores sobre o comportamento e as conquistas do filho
- Criar oportunidades de convívio social fora da escola, como encontros com colegas em ambientes controlados
- Valorizar cada pequeno avanço da criança nas relações com os outros
Para entender melhor os sinais do TDAH e como ele afeta o dia a dia das crianças, vale consultar o conteúdo completo do Tua Saúde sobre sintomas de TDAH.
Quando procurar ajuda profissional
Se a criança apresenta dificuldades persistentes para fazer amigos, se isola com frequência ou demonstra sinais de tristeza e frustração relacionados ao convívio social, é fundamental buscar orientação de um neuropediatra, psicólogo ou psiquiatra infantil. O diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado fazem toda a diferença para que a criança desenvolva habilidades sociais e emocionais de forma saudável.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento de um profissional de saúde. Em caso de dúvidas, consulte sempre um médico de confiança.









