O ronco é frequentemente tratado como algo inofensivo ou até motivo de brincadeira, mas a verdade é que ele pode ser um sinal de que as vias aéreas não estão funcionando como deveriam durante o sono. Quando o ar encontra dificuldade para passar pela garganta relaxada, os tecidos vibram e produzem o som característico. Em muitos casos, esse barulho esconde uma condição chamada apneia obstrutiva do sono, que está associada a riscos cardiovasculares importantes como pressão alta, arritmias e até AVC.
A diferença entre ronco ocasional e ronco crônico
Roncar de vez em quando, especialmente após um dia de muito cansaço ou durante uma gripe, costuma ser inofensivo e tende a desaparecer sozinho. O problema começa quando o ronco acontece quase todas as noites, é alto o suficiente para incomodar quem dorme ao lado e vem acompanhado de pausas na respiração.
Essas pausas são o principal sinal de alerta da apneia obstrutiva do sono. Durante esses episódios, a pessoa para de respirar por alguns segundos, o que reduz o nível de oxigênio no sangue e força o coração a trabalhar mais. Com o tempo, essa sobrecarga repetida pode causar danos significativos ao sistema cardiovascular. Você pode entender melhor as causas e os sinais do ronco no artigo completo do Tua Saúde sobre o tema.
Fatores que aumentam o risco de roncar
Algumas condições tornam certas pessoas mais propensas a desenvolver o ronco crônico e a apneia do sono. Conhecer esses fatores ajuda a identificar se você faz parte do grupo de risco:

Revisão científica confirma a relação entre apneia do sono e doenças cardiovasculares
A ligação entre a apneia obstrutiva do sono e os problemas do coração não é apenas uma suspeita clínica. Segundo a revisão sistemática e meta-análise Obstructive Sleep Apnea and Cardiovascular Diseases: A Systematic Review and Meta-Analysis of Prospective Studies, publicada na revista Cureus em 2024, pacientes com apneia obstrutiva do sono apresentam um risco significativamente maior de desenvolver doenças cardiovasculares, incluindo hipertensão, doença coronariana e acidente vascular cerebral. A pesquisa reuniu dados de estudos prospectivos disponíveis no PubMed, Scopus e Cochrane Library, reforçando que a condição não deve ser ignorada e que o diagnóstico precoce pode prevenir complicações graves.
Como a polissonografia confirma o diagnóstico?
Quando o ronco é frequente e vem acompanhado de cansaço excessivo durante o dia, dor de cabeça ao acordar ou dificuldade de concentração, o médico pode solicitar uma polissonografia. Esse exame monitora diversas funções do corpo durante uma noite inteira de sono, incluindo a atividade cerebral, os movimentos dos olhos, o ritmo cardíaco e o fluxo de ar pelas vias respiratórias.
O resultado da polissonografia permite classificar a gravidade da apneia e orientar o tratamento mais adequado para cada caso. Em situações leves, mudanças de hábitos como perder peso e evitar dormir de barriga para cima podem ser suficientes. Nos casos moderados a graves, o uso de aparelhos específicos para manter as vias aéreas abertas durante o sono costuma ser indicado.

Quando o ronco exige atenção médica imediata?
Nem todo ronco precisa de tratamento, mas existem sinais que indicam a necessidade de procurar um profissional de saúde sem demora:
- Sonolência diurna intensa mesmo após uma noite aparentemente completa de sono.
- Pausas respiratórias observadas por quem dorme ao lado.
- Acordar com sensação de sufocamento ou engasgo durante a noite.
- Pressão alta de difícil controle sem causa aparente.
Ignorar esses sinais pode permitir que a apneia do sono avance silenciosamente e aumente os riscos para o coração e para o cérebro. A avaliação médica é o caminho mais seguro para entender a origem do ronco e proteger a sua saúde a longo prazo.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento de um médico. Consulte sempre um profissional de saúde para orientações adequadas ao seu caso.









