A esteatose hepática não tem um medicamento específico aprovado para o seu tratamento, mas dois nutrientes vêm ganhando destaque nas pesquisas como aliados importantes nesse processo: a vitamina E e o magnésio. A vitamina E atua como um potente antioxidante que protege as células do fígado contra os danos causados pela inflamação, enquanto o magnésio participa de centenas de reações no organismo, incluindo o metabolismo da glicose e da gordura. É importante ressaltar, porém, que nenhum nutriente isolado “cura” a gordura no fígado. O tratamento eficaz envolve mudanças no estilo de vida como um todo.
Por que a vitamina E é estudada no tratamento da esteatose
A vitamina E é um dos nutrientes mais pesquisados no contexto da gordura no fígado. Sua principal função nesse cenário é combater o estresse oxidativo, um processo em que os radicais livres danificam as células hepáticas e agravam a inflamação. Quando o fígado acumula gordura em excesso, as células do órgão ficam mais vulneráveis a esse tipo de dano, e é justamente aí que a vitamina E pode ajudar.
Ensaios clínicos realizados com pacientes portadores de esteato-hepatite não alcoólica mostraram que a suplementação com vitamina E melhorou significativamente a gordura acumulada no fígado, a inflamação e a lesão das células hepáticas em comparação ao placebo. Por esse motivo, diretrizes de sociedades médicas internacionais já consideram o uso da vitamina E como uma opção terapêutica para casos específicos, sempre sob orientação médica. As principais fontes alimentares incluem oleaginosas como amêndoas e castanhas, sementes de girassol, azeite de oliva e vegetais de folhas verdes escuras.

O papel do magnésio na saúde do fígado
O magnésio é o quarto mineral mais abundante no corpo humano e participa como cofator em mais de 300 reações enzimáticas. Entre suas funções, está a regulação do metabolismo da glicose e a melhora da sensibilidade à insulina, dois fatores diretamente envolvidos no desenvolvimento e na progressão da esteatose hepática. Pessoas com gordura no fígado frequentemente apresentam níveis mais baixos de magnésio no sangue.
Estudos observacionais indicam que uma maior ingestão de magnésio ao longo da vida está associada a um risco significativamente menor de desenvolver esteatose. Além disso, a deficiência desse mineral foi relacionada a maior resistência à insulina e ao agravamento da inflamação hepática. Boas fontes alimentares de magnésio incluem folhas verde-escuras como espinafre e couve, sementes de abóbora, grãos integrais, feijão, abacate e chocolate amargo.
Estudo com 25 anos de acompanhamento associa magnésio a menor risco de gordura no fígado
A relação entre o magnésio e a saúde hepática já foi documentada em pesquisas de longa duração. Segundo o estudo “Magnesium intake is inversely associated with risk of non-alcoholic fatty liver disease among American adults”, publicado no European Journal of Nutrition e indexado no PubMed, adultos com maior ingestão cumulativa de magnésio ao longo de 25 anos apresentaram chances 55% menores de desenvolver esteatose hepática na meia-idade, em comparação com aqueles que consumiam menos do mineral. A pesquisa analisou dados de 2.685 participantes do estudo CARDIA e também identificou que o consumo de grãos integrais, uma das principais fontes alimentares de magnésio, teve associação inversa com o risco da doença. O estudo completo pode ser acessado em: PubMed – PMID 34741649.

O que evitar e o que priorizar na alimentação
Incorporar vitamina E e magnésio na rotina alimentar faz parte de uma estratégia mais ampla de proteção ao fígado. Confira o que incluir e o que reduzir:
- Priorize: oleaginosas, sementes, folhas verde-escuras, grãos integrais, frutas, peixes, azeite de oliva e leguminosas
- Reduza: açúcar refinado, farinhas brancas, frituras, embutidos, bebidas alcoólicas, refrigerantes e alimentos ultraprocessados
- Mantenha-se ativo: a prática regular de exercícios físicos potencializa os efeitos da alimentação e acelera a redução da gordura hepática
- Controle o peso: a perda de 5% a 10% do peso corporal já pode reduzir significativamente a gordura acumulada no fígado
Para entender melhor os sintomas e o acompanhamento da condição, vale conferir o conteúdo completo sobre sintomas de esteatose hepática no Tua Saúde. A suplementação de vitamina E e magnésio pode ser benéfica em determinados casos, mas deve ser sempre orientada por um médico, pois o uso inadequado pode trazer riscos, especialmente em doses elevadas e por tempo prolongado.
Aviso: este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento de um médico. Não inicie nenhuma suplementação por conta própria. Procure um hepatologista, gastroenterologista ou nutricionista para uma orientação individualizada.









