As bactérias que vivem no intestino fazem muito mais do que ajudar na digestão. Segundo uma pesquisa recente, substâncias produzidas por esses microrganismos podem circular no sangue e indicar quem tem maior chance de sofrer um infarto. Essa descoberta reforça algo que a ciência vem investigando nos últimos anos: o intestino e o coração estão mais conectados do que se imaginava, e cuidar da flora intestinal pode ser uma forma de proteger a saúde cardiovascular.
O que o intestino tem a ver com o coração?
O intestino abriga trilhões de bactérias que participam de funções essenciais no organismo. Quando esse equilíbrio é alterado, algumas dessas bactérias produzem substâncias que entram na corrente sanguínea e podem favorecer processos inflamatórios nas artérias. Essa inflamação contribui para o acúmulo de placas de gordura nos vasos, aumentando o risco de obstrução e, consequentemente, de um ataque cardíaco.
Entre as substâncias mais estudadas está o TMAO (N-óxido de trimetilamina), um composto gerado a partir de nutrientes presentes em carnes vermelhas e ovos. Níveis elevados de TMAO no sangue já foram associados a maior risco de doenças cardiovasculares em diversas pesquisas anteriores.

Estudo identifica nove moléculas intestinais ligadas ao risco de infarto
Segundo o estudo “Circulating gut microbial metabolites and risk of coronary heart disease: A prospective multi-stage metabolomics study”, publicado na revista científica PLOS Medicine, pesquisadores analisaram amostras de sangue de mais de 8.000 participantes de diferentes etnias nos Estados Unidos e na China. A equipe, liderada pela epidemiologista Danxia Yu, do Vanderbilt University Medical Center, identificou nove substâncias produzidas por bactérias intestinais que estavam diretamente associadas a um maior risco de desenvolver doença coronariana. Para cada aumento na concentração dessas moléculas no sangue, a probabilidade de sofrer um infarto cresceu entre 18% e 27%, mesmo depois de considerar outros fatores como idade, alimentação e estilo de vida.
Sinais de que a saúde intestinal pode estar comprometida
Alguns sinais do dia a dia podem indicar que a flora intestinal não está em equilíbrio, o que, segundo as pesquisas, pode impactar também a saúde do coração. Os principais são:
INCHAÇO
Inchaço abdominal e excesso de gases são sinais comuns de desequilíbrio intestinal.
ALTERAÇÕES
Prisão de ventre ou diarreia recorrente indicam funcionamento irregular do intestino.
CANSAÇO
Fadiga constante sem explicação pode estar ligada à saúde intestinal comprometida.
INFECÇÕES
Infecções intestinais frequentes podem indicar desequilíbrio da microbiota.
ALIMENTAÇÃO
Dieta pobre em fibras e rica em ultraprocessados prejudica o equilíbrio intestinal.
Quando esses sinais aparecem com frequência, é importante buscar avaliação médica para entender a causa e evitar que o desequilíbrio intestinal traga consequências mais sérias ao organismo.
Hábitos que ajudam a proteger o intestino e o coração
A boa notícia é que mudanças simples na rotina podem beneficiar tanto a saúde intestinal quanto a cardiovascular. Entre as principais recomendações estão:
- Incluir alimentos ricos em fibras na dieta, como frutas, verduras, legumes e grãos integrais
- Consumir alimentos fermentados, como iogurte natural e kefir, que favorecem as bactérias benéficas
- Reduzir o consumo de ultraprocessados, açúcar em excesso e gorduras saturadas
- Manter uma rotina regular de atividade física
- Evitar o uso desnecessário de antibióticos, que podem eliminar bactérias importantes do intestino
Essas práticas ajudam a manter a diversidade de bactérias no intestino e a reduzir a produção de substâncias inflamatórias que prejudicam as artérias.
Por que vale a pena ficar atento à conexão intestino e coração?
O avanço das pesquisas sobre o eixo intestino-coração mostra que a prevenção de doenças cardiovasculares vai além do controle do colesterol e da pressão arterial. Entender como o equilíbrio das bactérias intestinais influencia o risco cardíaco pode abrir caminho para novas formas de diagnóstico precoce e tratamentos mais personalizados no futuro.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento de um médico. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure sempre um profissional de saúde qualificado.









