Sentir um desejo incontrolável de mastigar gelo, comer terra ou morder giz pode parecer estranho, mas esse comportamento tem nome e explicação científica. A síndrome de pica é um transtorno alimentar que leva pessoas a consumir substâncias sem valor nutricional, e sua causa mais comum está diretamente ligada à deficiência severa de ferro no organismo. Entender essa relação pode ser o primeiro passo para identificar uma anemia que muitas vezes passa despercebida.
O que é a síndrome de pica e por que ela acontece
A pica é caracterizada pelo consumo persistente de itens que não são alimentos, como gelo, terra, argila, papel, sabão ou até cabelo. Esse comportamento precisa ocorrer por pelo menos um mês para ser considerado um transtorno. A condição afeta principalmente crianças, gestantes e pessoas com deficiências nutricionais, especialmente de ferro e zinco.
Embora a ciência ainda não tenha desvendado completamente o mecanismo por trás desse desejo, estudos mostram que a deficiência de ferro altera o funcionamento do sistema nervoso central. O cérebro, privado de oxigênio adequado devido à baixa hemoglobina, parece buscar formas de compensar esse déficit, gerando impulsos alimentares atípicos.

Estudo revela por que pessoas anêmicas sentem vontade de mastigar gelo
A pagofagia, nome dado ao desejo compulsivo de mastigar gelo, é uma das formas mais comuns de pica associada à anemia ferropriva. Segundo a revisão científica “The Association Between Pica and Iron-Deficiency Anemia: A Scoping Review”, publicada na revista Cureus em 2023, cerca de 25% dos pacientes com deficiência de ferro nos Estados Unidos apresentam sintomas de pagofagia. O estudo analisou 20 artigos científicos e concluiu que, em todos os casos, o tratamento com suplementação de ferro levou ao desaparecimento completo dos sintomas de pica, muitas vezes em poucos dias após o início da terapia.
Sinais de que a vontade pode indicar anemia
Além do desejo por substâncias não alimentares, a deficiência de ferro costuma vir acompanhada de outros sintomas que merecem atenção:
- Cansaço extremo e falta de energia mesmo após descanso
- Palidez na pele, gengivas e parte interna das pálpebras
- Falta de ar ao realizar atividades simples
- Unhas fracas, quebradiças ou em formato de colher
- Dificuldade de concentração e sensação de confusão mental
Quando esses sinais aparecem junto com desejos incomuns por gelo, terra ou outras substâncias, a probabilidade de haver uma deficiência de ferro é alta e merece investigação médica.
Grupos mais vulneráveis ao desenvolvimento da pica
Algumas pessoas têm maior risco de desenvolver esse transtorno devido às suas condições de saúde ou fase da vida:
- Gestantes, por conta da maior demanda de ferro para o desenvolvimento do bebê
- Crianças pequenas, especialmente entre dois e seis anos de idade
- Mulheres com fluxo menstrual intenso
- Pessoas com doenças que causam má absorção de nutrientes
- Indivíduos com transtornos mentais como autismo, esquizofrenia ou TOC
Para saber mais sobre os sintomas e tratamentos da síndrome de piVontade de mastigar gelo ou terra pode indicar deficiência de ferro. Entenda a síndrome de pica, sintomas de anemia e o que mostram estudos.ca, você pode consultar o guia completo do Tua Saúde sobre o tema.

Como tratar a pica causada por falta de ferro
A boa notícia é que, na maioria dos casos, o tratamento é simples e eficaz. Quando a causa da pica é a deficiência de ferro, a reposição do mineral por meio de suplementos ou ajustes na alimentação costuma resolver o problema rapidamente. Muitos pacientes relatam que o desejo por substâncias incomuns desaparece entre cinco e oito dias após o início do tratamento.
Alimentos ricos em ferro, como carnes vermelhas, feijão, lentilha e folhas verde-escuras, ajudam a prevenir a deficiência. No entanto, quando os níveis estão muito baixos, a suplementação prescrita por um médico é essencial para uma recuperação adequada.
Aviso: Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. Em caso de sintomas persistentes ou comportamentos alimentares incomuns, procure sempre um profissional de saúde qualificado.









