Acordar no meio da noite com as mãos dormentes ou sentindo pequenas agulhadas é mais comum do que parece. Esse desconforto, chamado parestesia, geralmente acontece quando um nervo fica comprimido durante o sono, especialmente se você dorme com o punho dobrado ou o braço embaixo da cabeça. Na maioria dos casos, o formigamento desaparece em poucos minutos ao mudar de posição. Porém, quando os episódios se repetem com frequência, podem indicar condições que merecem atenção, como a síndrome do túnel do carpo.
Por que o formigamento nas mãos surge durante a noite
Durante o sono, o corpo permanece na mesma posição por longos períodos. Isso pode comprimir nervos importantes das mãos e dos braços, principalmente o nervo mediano, que passa pelo punho, e o nervo ulnar, que atravessa o cotovelo. Quando esses nervos são pressionados, a comunicação entre o cérebro e as mãos fica temporariamente interrompida, causando a sensação de dormência ou formigamento.
À noite, a posição fletida do punho aumenta a pressão dentro do canal do carpo. Por isso, pessoas que dormem com as mãos embaixo do travesseiro ou com os cotovelos muito dobrados tendem a sentir mais esse incômodo.
Principais causas da parestesia noturna
Além da posição de dormir, outros fatores podem contribuir para o surgimento do formigamento nas mãos durante a madrugada. Conhecer essas causas ajuda a identificar quando é hora de procurar um médico:
- Síndrome do túnel do carpo: responsável por mais de 80% dos casos de formigamento noturno isolado nas mãos, ocorre quando o nervo mediano é comprimido no punho
- Diabetes: os níveis elevados de açúcar no sangue podem danificar os nervos periféricos, causando dormência nas mãos e nos pés
- Deficiência de vitamina B12: essencial para o funcionamento do sistema nervoso, sua falta pode provocar formigamento nas extremidades
- Gravidez: a retenção de líquidos típica desse período aumenta a pressão sobre os nervos do punho, especialmente no terceiro trimestre

Estudo científico confirma relação entre posição de dormir e formigamento
A influência da postura durante o sono sobre os sintomas de parestesia noturna foi confirmada por pesquisas científicas. Segundo o estudo “Preferences in Sleep Position Correlate With Nighttime Paresthesias in Healthy People Without Carpal Tunnel Syndrome”, publicado no periódico Hand e indexado no PubMed, cerca de 33% dos participantes experimentavam formigamento noturno pelo menos uma vez por semana. A pesquisa revelou que dormir com o punho flexionado estava diretamente associado a uma maior frequência de sintomas, enquanto dormir de lado reduzia significativamente os episódios de parestesia.
Como evitar o formigamento nas mãos ao dormir
Algumas mudanças simples na rotina noturna podem reduzir ou até eliminar os episódios de formigamento. Confira estratégias que ajudam a manter os nervos livres de compressão durante o sono:
- Mantenha os punhos em posição neutra: evite dormir com as mãos dobradas para dentro ou para trás
- Use uma tala noturna: a órtese rígida impede a flexão involuntária do punho, aliviando a pressão sobre o nervo mediano
- Evite dormir sobre os braços: não coloque as mãos embaixo do travesseiro ou apoie a cabeça sobre o braço
- Prefira dormir de lado: essa posição reduz a compressão dos nervos quando comparada a dormir de barriga para cima com os braços elevados

Quando procurar um médico para formigamento nas mãos
Se a dormência nas mãos durante a madrugada se torna frequente, persiste por mais tempo após acordar ou vem acompanhada de dor nos dedos e fraqueza muscular, é fundamental buscar avaliação médica. Esses sinais podem indicar compressão crônica do nervo mediano ou outras condições que exigem tratamento específico. Para mais informações sobre as causas e o que fazer em cada situação, confira o conteúdo completo do Tua Saúde sobre formigamento nas mãos.
Somente um profissional de saúde pode realizar os exames adequados, como a eletroneuromiografia, identificar a origem do problema e indicar o tratamento mais seguro para cada caso.
Aviso: Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, diagnóstico ou tratamento de um médico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado para orientações específicas sobre sua condição.









