Acordar no meio da noite com as mãos dormentes, formigando ou com uma sensação de “agulhadas” é mais comum do que se imagina. Esse incômodo tem um nome: parestesia. Na maioria das vezes, a causa está na compressão temporária de nervos durante o sono, provocada pela posição em que se dorme. No entanto, quando os episódios se repetem com frequência, podem ser um sinal de alerta para condições que merecem atenção médica, como a síndrome do túnel do carpo.
O que é parestesia e como ela se manifesta?
Parestesia é a sensação anormal de formigamento, dormência ou queimação em uma parte do corpo, geralmente nas mãos, nos braços, nas pernas ou nos pés. Ela acontece quando um nervo periférico é comprimido, estirado ou irritado, interrompendo temporariamente a transmissão normal dos sinais entre o cérebro e a região afetada.
Na forma mais simples, a parestesia desaparece em poucos minutos ao mudar de posição. É aquela dormência típica que sentimos ao cruzar as pernas por muito tempo ou ao apoiar o peso do corpo sobre um braço. No entanto, quando o formigamento nas mãos se repete durante a madrugada de forma persistente, pode indicar que algo mais está acontecendo.

Por que as mãos ficam dormentes durante o sono?
Durante a noite, o corpo permanece na mesma posição por longos períodos, o que pode comprimir nervos importantes. Os dois nervos mais frequentemente afetados são o nervo mediano, que passa pelo punho, e o nervo ulnar, que passa pelo cotovelo. Dormir com o punho dobrado ou com o braço embaixo da cabeça são posições que aumentam essa compressão. Confira os fatores mais comuns:
PUNHO DOBRADO
Dormir com o punho flexionado pode comprimir o nervo mediano no túnel do carpo.
COTOVELO
Manter o cotovelo dobrado por muito tempo pode comprimir o nervo ulnar.
PRESSÃO
Deitar sobre o braço pode comprimir nervos e vasos sanguíneos durante a noite.
LÍQUIDOS
A retenção de líquidos noturna pode aumentar a pressão sobre nervos no punho.
Estudo associa parestesia noturna à posição de dormir mesmo em pessoas saudáveis
A relação entre dormência nas mãos durante a noite e a posição de sono vai além de quem já tem um diagnóstico. Segundo o estudo “Preferences in Sleep Position Correlate With Nighttime Paresthesias in Healthy People Without Carpal Tunnel Syndrome”, publicado na revista Hand (indexada no PubMed), cerca de 33% dos participantes sem diagnóstico de síndrome do túnel do carpo relataram parestesia noturna pelo menos uma vez por semana. A pesquisa identificou que dormir com o punho flexionado e ter índice de massa corporal elevado foram os fatores mais associados à maior frequência dos episódios, mesmo em pessoas jovens e saudáveis.
Quando a dormência nas mãos pode indicar algo mais sério?
Embora a parestesia noturna seja muitas vezes passageira e sem gravidade, alguns sinais indicam que o problema pode exigir investigação mais aprofundada. Fique atento às seguintes situações:
- Episódios frequentes e persistentes: se a dormência ocorre quase todas as noites e demora a passar após acordar, pode indicar compressão crônica do nervo mediano.
- Dor que irradia para os dedos: quando o formigamento vem acompanhado de dor nos dedos polegar, indicador e médio, é um sinal clássico da síndrome do túnel do carpo.
- Fraqueza nas mãos durante o dia: dificuldade para segurar objetos, abotoar roupas ou abrir potes pode sugerir que o nervo já está sendo afetado de forma mais significativa.
- Formigamento bilateral: dormência em ambas as mãos pode estar relacionada a condições como diabetes, deficiência de vitamina B12 ou alterações na tireoide.
Se você percebe que a dormência nas mãos durante a madrugada está se tornando frequente, intensa ou acompanhada de dor e fraqueza, é essencial procurar um médico. Somente um profissional de saúde pode realizar os exames adequados, identificar a causa e indicar o tratamento mais seguro e eficaz para o seu caso.









