Sentir tontura ao virar a cabeça, deitar ou levantar rapidamente é uma queixa muito frequente e que costuma assustar. Na maioria dos casos, esse tipo de vertigem está relacionado a um problema no ouvido interno chamado vertigem posicional, que ocorre quando pequenos cristais de cálcio se deslocam dentro dos canais responsáveis pelo equilíbrio. A boa notícia é que essa condição tem tratamento eficaz e, muitas vezes, pode ser resolvida em poucas sessões.
O que causa a tontura ao mudar a posição da cabeça?
Dentro do ouvido interno existem estruturas que detectam os movimentos da cabeça e ajudam o cérebro a manter o equilíbrio. Quando pequenos cristais de cálcio, que normalmente ficam em uma região específica, se soltam e migram para os canais semicirculares, cada movimento da cabeça gera sinais confusos para o cérebro. Esse conflito de informações provoca a sensação de que tudo está girando, mesmo quando o corpo está parado.
Essa condição é conhecida como vertigem posicional paroxística benigna e é a causa mais comum de tontura relacionada a mudanças de posição. Pode afetar pessoas de qualquer idade, mas é mais frequente após os 50 anos e em mulheres. Apesar de causar grande desconforto, não representa risco grave à saúde.
Principais sintomas da vertigem posicional
A tontura posicional tem características bastante específicas que ajudam a diferenciá-la de outros tipos de vertigem. Conhecer esses sinais facilita a identificação do problema:
SENSAÇÃO DE GIRO
O ambiente parece girar ao virar a cabeça, deitar, levantar ou olhar para cima.
DURAÇÃO CURTA
As crises duram segundos a até um minuto, embora pareçam mais longas.
NÁUSEAS
Pode haver enjoo, suor frio e desequilíbrio durante os episódios.
MELHORA PARADO
Ao permanecer imóvel, a vertigem tende a diminuir ou desaparecer.
CRISES INTERMITENTES
Os episódios podem ir e voltar ao longo de dias ou semanas.
Revisão científica comprova a eficácia da manobra de Epley no tratamento
O tratamento mais utilizado e estudado para a vertigem posicional é a manobra de reposicionamento, que consiste em uma sequência de movimentos da cabeça orientados por um profissional para recolocar os cristais deslocados em sua posição correta. Segundo a revisão sistemática e meta-análise “Epley manoeuvre’s efficacy for benign paroxysmal positional vertigo (BPPV) in primary-care and subspecialty settings”, publicada no BMC Primary Care em 2023, a manobra de Epley se mostrou eficaz tanto quando realizada por médicos de atenção primária quanto por especialistas. A análise concluiu que esse procedimento simples e rápido pode evitar encaminhamentos desnecessários e hospitalizações, reforçando sua importância como tratamento de primeira linha.

O que fazer em casa para aliviar a tontura?
Além do tratamento profissional, algumas medidas podem ajudar a minimizar os episódios de tontura e melhorar a segurança no dia a dia:
- Levantar devagar — ao sair da cama, sente-se primeiro na borda por alguns segundos antes de ficar em pé
- Evitar movimentos bruscos da cabeça — virar o corpo inteiro em vez de apenas a cabeça reduz as chances de desencadear uma crise
- Manter o ambiente seguro — retirar tapetes soltos e manter os caminhos da casa livres de obstáculos diminui o risco de quedas
- Dormir com a cabeceira levemente elevada — usar um travesseiro extra pode reduzir o deslocamento dos cristais durante o sono
Quando buscar ajuda médica para a tontura?
Se a tontura ao virar a cabeça for intensa, frequente ou vier acompanhada de perda auditiva, zumbido, dor de cabeça forte, visão dupla ou dificuldade para falar, é fundamental procurar atendimento médico com urgência. Esses sintomas podem indicar condições que vão além da vertigem posicional e precisam de investigação adequada.
Mesmo quando os episódios parecem leves, é recomendável consultar um otorrinolaringologista ou neurologista para confirmar o diagnóstico e realizar o tratamento correto. A manobra de reposicionamento deve ser feita por um profissional capacitado, e a automedicação com remédios para tontura pode mascarar o problema sem resolvê-lo.









