Aquele cochilo depois do almoço pode parecer a solução perfeita para recuperar a energia, mas a ciência mostra que essa prática aparentemente inofensiva pode prejudicar seu sono noturno e afetar a saúde de forma significativa. Embora sonecas curtas tragam benefícios para algumas pessoas, cochilos longos ou feitos em horários inadequados podem fragmentar o descanso à noite, criar um ciclo de insônia e até aumentar riscos cardiovasculares. Entender como e quando dormir durante o dia faz toda a diferença.
Como a soneca interfere no sono noturno?
O corpo humano funciona com um sistema chamado pressão do sono, que aumenta naturalmente ao longo do dia e cria a necessidade de dormir à noite. Quando você cochila durante a tarde, especialmente por períodos prolongados, essa pressão diminui e o organismo chega ao horário de dormir sem a vontade natural de descansar.
Além disso, sonecas feitas depois das 15 horas podem desregular o ritmo circadiano, o relógio biológico que controla os ciclos de sono e vigília. O resultado é dificuldade para adormecer, despertares frequentes durante a noite e sensação de cansaço no dia seguinte, mesmo tendo dormido mais horas no total.

Estudo comprova que sonecas frequentes pioram a qualidade do sono
A relação entre cochilos diurnos e problemas de sono noturno foi comprovada cientificamente. Segundo o estudo “The effects of napping on night-time sleep in healthy young adults”, publicado no Journal of Sleep Research, sonecas frequentes e realizadas tarde do dia estão associadas a maior fragmentação do sono noturno e pior qualidade de descanso.
A pesquisa acompanhou 62 adultos saudáveis com idade média de 23 anos utilizando actigrafia para monitorar padrões de sono. Os resultados mostraram que pessoas que cochilavam três ou mais vezes por semana apresentavam sono mais fragmentado do que aquelas que não cochilavam. Sonecas feitas menos de 7 horas antes do sono noturno causavam maior dificuldade para adormecer e mais despertares durante a noite.
Principais sinais de que a soneca está prejudicando você
Nem todas as pessoas reagem da mesma forma aos cochilos diurnos, mas existem indicadores claros de que essa prática pode estar causando problemas. Fique atento aos seguintes sinais:
INSÔNIA NOTURNA
Ficar mais de 30 minutos tentando adormecer pode indicar excesso de cochilos.
SONO FRAGMENTADO
Acordar várias vezes durante a noite prejudica o sono reparador.
INÉRCIA DO SONO
Sensação de atordoamento ao acordar após a soneca.
CANSANÇO PERSISTENTE
Mesmo dormindo o suficiente, sentir-se esgotado pode ser um sinal.
DEPENDÊNCIA DO COCHILO
Não conseguir funcionar sem dormir durante o dia pode indicar desequilíbrio.
IRRITABILIDADE
Dificuldade de concentração e humor alterado podem indicar sono de má qualidade.
Quando a soneca pode ser benéfica?
Apesar dos riscos, existem situações em que o cochilo diurno traz vantagens reais para a saúde e o desempenho. Para que a soneca seja positiva, é preciso seguir algumas regras:
- Duração de 10 a 20 minutos – evita entrar em sono profundo e acordar atordoado
- Horário ideal entre 13h e 15h – coincide com a queda natural de energia após o almoço
- Ambiente adequado – local escuro, silencioso e confortável
- Não substituir o sono noturno – usar apenas como complemento, não como compensação
- Trabalhadores de turnos noturnos – podem se beneficiar para manter a atenção
Quem deve evitar completamente os cochilos?
Pessoas que sofrem de insônia crônica são as mais prejudicadas pela soneca durante o dia. Para esse grupo, o cochilo funciona como um sabotador do sono noturno, reduzindo a pressão do sono e perpetuando o ciclo de noites mal dormidas. A Academia Americana de Medicina do Sono recomenda que adultos com dificuldade para dormir evitem cochilos completamente.
Idosos também devem ter cautela, pois estudos indicam que sonecas longas e frequentes nessa faixa etária estão associadas a maior risco de declínio cognitivo e problemas cardiovasculares. Se você sente necessidade constante de dormir durante o dia, isso pode indicar um distúrbio de sono ou outra condição de saúde que precisa de investigação. Procure um médico especialista em sono para avaliar sua situação e receber orientações adequadas ao seu caso.









