Sentir o abdômen estufado, pontadas agudas e aquele desconforto que parece não ter fim pode transformar um dia comum em um verdadeiro teste de paciência e bem-estar. O acúmulo de gases intestinais, embora seja um processo natural da digestão, muitas vezes sinaliza que nosso corpo precisa de uma ajuda extra para movimentar o que está parado. A boa notícia é que a solução não depende apenas de medicamentos; com alguns ajustes posturais e movimentos estratégicos, você pode “destravar” o seu sistema digestivo e resgatar a leveza de forma surpreendentemente rápida e natural.
Por que os gases intestinais causam dor?
A ciência nos mostra que a dor abdominal ocorre quando o excesso de ar distende as paredes do intestino, ativando receptores de dor sensíveis à pressão. Esse acúmulo pode ser fruto da fermentação de alimentos por bactérias ou do ar engolido durante as refeições.
Evidências do guia “Evaluation of Abnormal Gas”, disponível no PubMed, confirmam que a motilidade intestinal lenta facilita esse represamento. Quando o trânsito não flui, o gás fica “preso” em curvas do cólon, gerando as famosas fisgadas que podem até ser confundidas com dores cardíacas ou musculares.
Quais exercícios liberam o intestino?
Especialistas explicam que a atividade física atua como uma massagem mecânica nos órgãos internos, estimulando as contrações chamadas de peristaltismo. A ciência nos mostra que certas posturas de ioga e alongamentos específicos são capazes de alinhar o canal retal e facilitar a expulsão do ar de forma imediata.
Evidências do estudo clínico “Effect of physical activity on intestinal gas transit” indicam que caminhar ou se movimentar acelera o trânsito do gás pelo trato digestivo. Para obter alívio rápido em casa, especialistas recomendam uma sequência de movimentos focados na região pélvica e abdominal:
- Joelhos ao peito: Deitado de costas, abraçar as pernas pressiona suavemente o cólon.
- Postura da criança: Ajoelhado, encostar a testa no chão relaxa os músculos do assoalho pélvico.
- Torção de tronco: Sentado ou deitado, girar o tronco ajuda a “espremer” o ar para fora das alças intestinais.
- Agachamento profundo: Alinha o reto para uma evacuação e liberação de gases sem esforço.
- Caminhada leve: O impacto suave dos pés no chão ajuda a movimentar as bolhas de gás presas.

Como a alimentação evita crises de gases intestinais?
A ciência nos mostra que o equilíbrio da microbiota é o que dita se você produzirá mais ou menos gases após comer. Especialistas do Ministério da Saúde, através do Guia Alimentar para a População Brasileira, reforçam que o excesso de ultraprocessados e açúcares pode alimentar bactérias que geram fermentação excessiva.
Evidências da World Gastroenterology Organisation (WGO) sugerem que o remolho de leguminosas, como o feijão, reduz drasticamente os antinutrientes causadores de flatulência. Além disso, manter uma hidratação adequada é vital para que as fibras não fiquem paradas no intestino, o que agravaria a produção de gases.
Quais hábitos melhoram a digestão?
Especialistas da Mayo Clinic explicam que a forma como comemos é tão importante quanto o que comemos para evitar a entrada de ar no sistema. A ciência nos mostra que mastigar lentamente e evitar o uso de canudos reduz a aerofagia, que é a deglutição involuntária de ar durante o dia.
Para garantir que seu sistema digestivo trabalhe de forma silenciosa e eficiente, as diretrizes de saúde do Tua Saúde recomendam ajustes comportamentais simples. Adotar essas práticas ajuda a reduzir a formação de gases desde a primeira mastigação até a absorção final dos nutrientes:
- Mastigação consciente: Triturar bem os alimentos facilita o trabalho das enzimas digestivas.
- Evitar falar ao comer: Reduz a entrada de ar extra para o estômago durante a refeição.
- Fracionar refeições: Comer porções menores evita a sobrecarga de fermentação no cólon.
- Chás digestivos: Infusões de erva-doce ou hortelã ajudam a dispersar as bolhas de gás.
Como agir na próxima crise?
A ciência nos mostra que, ao primeiro sinal de estufamento, a movimentação ativa é superior ao repouso absoluto, que tende a deixar o intestino ainda mais preguiçoso. Especialistas explicam que identificar os alimentos gatilhos em um diário alimentar pode ser a solução definitiva para quem sofre com crises recorrentes.
Ao unir exercícios de mobilidade com uma dieta consciente, você devolve ao seu corpo a capacidade de digerir sem sofrimento. Lembre-se que o conforto abdominal é um pilar da qualidade de vida e que pequenos ajustes na sua rotina podem eliminar de vez a sensação de inchaço e peso.
O acompanhamento com um médico ou nutricionista é fundamental para um diagnóstico preciso e tratamento seguro.
Referências:
- Azpiroz, F., & Malagelada, J. R. (2005). “Intestinal Gas Dynamics.” Gastroenterology (PubMed). Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15864720/
- Tua Saúde (2024). “Como eliminar gases: 5 formas simples e naturais.” Disponível em: https://www.tuasaude.com/gases-intestinais/
- Lacy, B. E., et al. (2021). “Management of Chronic Abdominal Distension and Bloating.” Clinical Gastroenterology and Hepatology. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32246999/
- Ministério da Saúde (2014). “Guia Alimentar para a População Brasileira”. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf
- World Gastroenterology Organisation (2023). “WGO Global Guideline: Common GI Symptoms.” Disponível em: https://www.worldgastroenterology.org/guidelines/common-gi-symptoms









