O fígado é um dos órgãos mais importantes do corpo humano, responsável por mais de 500 funções essenciais, como filtrar toxinas, produzir bile para a digestão e regular a coagulação do sangue. O problema é que a maioria das doenças hepáticas é silenciosa nos estágios iniciais, e os sintomas costumam aparecer apenas quando o dano já está avançado. Conhecer os sinais que o corpo dá quando o fígado está comprometido pode fazer toda a diferença para buscar ajuda médica a tempo e evitar complicações graves.
Pele e olhos amarelados são um dos primeiros alertas visíveis
A icterícia, que é o amarelamento da pele e da parte branca dos olhos, é um dos sinais mais conhecidos de problema hepático. Ela acontece quando o fígado perde a capacidade de processar e eliminar a bilirrubina, uma substância produzida pela destruição natural dos glóbulos vermelhos. Quando essa substância se acumula no sangue, ela se deposita na pele e nas mucosas, dando a aparência amarelada.
Esse sinal pode surgir tanto em quadros agudos, como hepatites virais, quanto em doenças crônicas, como a cirrose. Qualquer alteração na coloração da pele ou dos olhos deve ser investigada por um médico o mais rápido possível.
Inchaço abdominal e nas pernas pode indicar falha hepática
Quando o fígado está comprometido, ele pode ter dificuldade para produzir proteínas importantes, como a albumina, que ajuda a manter os líquidos dentro dos vasos sanguíneos. Sem albumina suficiente, o líquido extravasa para os tecidos e cavidades do corpo, causando inchaço nas pernas e no abdômen. O acúmulo de líquido na barriga recebe o nome de ascite e é um dos sinais mais característicos de doença hepática avançada.
Além da baixa produção de albumina, a hipertensão portal — aumento da pressão nas veias que levam sangue ao fígado — também contribui para o surgimento da ascite. Esses dois mecanismos juntos tornam o inchaço abdominal um sinal de alerta que não deve ser ignorado.

Estudo publicado no Journal of Hepatology reforça a gravidade global das doenças do fígado
Segundo a revisão “Global burden of liver disease: 2023 update”, publicada no Journal of Hepatology, as doenças hepáticas são responsáveis por cerca de dois milhões de mortes por ano em todo o mundo, o que representa aproximadamente 4% de todos os óbitos globais. O estudo destaca que a maior parte dessas mortes está ligada a complicações da cirrose e do câncer de fígado, reforçando a importância do diagnóstico precoce. Esses dados mostram que reconhecer os sinais corporais de comprometimento hepático pode ser decisivo para evitar que a doença progrida para estágios irreversíveis. O estudo completo está disponível em: PubMed — Global burden of liver disease: 2023 update.
Outros sinais do corpo que merecem atenção
Além da icterícia e do inchaço, o corpo pode apresentar diversos outros sintomas quando o fígado não está funcionando bem. Muitos deles são inespecíficos e podem ser confundidos com outras condições, por isso é importante avaliá-los em conjunto:
Cansaço Persistente
Uma fadiga constante que não melhora com repouso pode indicar que o fígado não está metabolizando toxinas corretamente, sobrecarregando o organismo e reduzindo a energia.
Alterações na Urina e Fezes
A presença de urina escura e fezes claras pode indicar falhas no processamento da bilirrubina e da bile, sinais importantes de disfunção hepática.
Hematomas e Sangramentos
O fígado é responsável por produzir fatores de coagulação. Quando comprometido, podem surgir hematomas com facilidade, sangramentos nas gengivas e dificuldade de cicatrização.
Coceira Generalizada
O acúmulo de sais biliares na pele, causado pela eliminação inadequada da bile, pode provocar coceira intensa e persistente em diferentes partes do corpo.
Confusão Mental e Sonolência
Em casos mais graves, o acúmulo de toxinas no sangue pode afetar o cérebro, causando confusão mental, dificuldade de concentração e sonolência, condição conhecida como encefalopatia hepática.
Quando procurar ajuda médica para proteger o fígado
As doenças hepáticas podem ser causadas por consumo excessivo de álcool, hepatites virais, acúmulo de gordura no órgão, uso prolongado de medicamentos e até por condições genéticas. Como a maioria dessas condições evolui de forma silenciosa, manter exames de rotina em dia é a melhor forma de identificar alterações antes que os sintomas apareçam. Exames simples de sangue já conseguem medir as enzimas hepáticas e indicar se o fígado está sob estresse.
Se você perceber qualquer um dos sinais mencionados neste artigo, o mais indicado é procurar um hepatologista ou gastroenterologista para uma avaliação completa. Somente um profissional de saúde pode solicitar os exames adequados, identificar a causa do problema e definir o melhor tratamento para cada caso.









