A sensação de areia nos olhos, tecnicamente conhecida como síndrome do olho seco, afeta mais de dezesseis milhões de americanos e está frequentemente associada a deficiências nutricionais específicas, não apenas ao uso prolongado de dispositivos eletrônicos. Evidências científicas demonstram que deficiências de vitaminas A, B12, D e ácidos graxos ômega-3 contribuem significativamente para sintomas como irritação ocular, sensação de corpo estranho, ardência e produção inadequada de lágrimas, sendo que a correção dessas deficiências através de suplementação ou ajustes alimentares pode melhorar substancialmente os sintomas em muitos pacientes resistentes a tratamentos convencionais.
Deficiência de vitamina A como causa primária de olho seco
A vitamina A é absolutamente essencial para a produção e qualidade das lágrimas, sendo sua deficiência uma das causas nutricionais mais bem estabelecidas de síndrome do olho seco severa. Esta vitamina lipossolúvel é necessária para manter a integridade das células caliciformes da conjuntiva, que secretam mucina, componente crucial do filme lacrimal que permite que as lágrimas se espalhem uniformemente sobre a superfície ocular.
Estudos demonstram que suplementação oral com vitamina A em doses de cinco mil unidades internacionais por dia por apenas três dias pode melhorar significativamente parâmetros de filme lacrimal incluindo tempo de ruptura do filme lacrimal e teste de Schirmer. A deficiência grave de vitamina A causa xeroftalmia, condição caracterizada por olhos secos intensos, manchas de Bitot na conjuntiva e, em casos extremos, cegueira noturna, sendo prevalente em populações com privação alimentar onde até cinquenta por cento das crianças pré-escolares podem ser deficientes.
Estudo científico comprova eficácia de multivitamínicos em olho seco intratável
A eficácia da suplementação vitamínica em casos de olho seco refratário foi demonstrada em um importante estudo clínico publicado na revista Frontiers in Medicine. Segundo o estudo publicado na Frontiers in Medicine, que avaliou trinta e nove pacientes com sintomas intratáveis de olho seco, a administração oral de multivitamínico contendo vitaminas E, C, B1, B2, B6, beta-caroteno, zinco, selênio e coenzima Q10 resultou em melhora significativa dos sintomas e sinais de olho seco.
A pesquisa revelou que após dois meses de tratamento, os escores do Índice de Doença da Superfície Ocular diminuíram de cinquenta e três vírgula cinco para trinta e dois vírgula três, o tempo de ruptura do filme lacrimal aumentou de quatro vírgula dois para cinco vírgula nove segundos, e o teste de Schirmer melhorou de sete vírgula seis para dez vírgula seis milímetros. Os pesquisadores concluíram que olhos secos intratáveis podem ser devidos a dor neuropática ou deficiências nutricionais, e que multivitamínico com ação antioxidante pode ajudar nestes casos resistentes a tratamentos convencionais.

Vitaminas B12 e D essenciais para saúde da superfície ocular
Além da vitamina A, outras vitaminas demonstram papéis críticos na manutenção da saúde ocular e prevenção de olho seco:
VITAMINA B12
A suplementação pode melhorar a inervação corneana e reduzir ardência associada ao olho seco.
VITAMINA D
Níveis adequados de 25(OH)D estão associados a melhor qualidade e estabilidade lacrimal.
VITAMINA E
O tocoferol atua como antioxidante protegendo a superfície ocular do estresse oxidativo.
VITAMINA C
O ácido ascórbico, junto à vitamina E, exerce efeito antinociceptivo na dor ocular.
VITAMINAS B1, B2 E B6
Tiamina, riboflavina e piridoxina auxiliam na redução de dor neuropática e inflamação ocular.
Ômega-3 como tratamento baseado em evidências para olho seco
Ácidos graxos ômega-3, especialmente EPA e DHA derivados de peixes, representam uma das intervenções nutricionais mais estudadas e eficazes para síndrome do olho seco. Meta-análise de 2023 que revisou dezenove ensaios clínicos randomizados envolvendo quatro mil duzentos e quarenta e seis pacientes concluiu que suplementação com ômega-3 melhora efetivamente sinais e sintomas de olho seco e pode ser considerada tratamento eficaz.
Os ômega-3 exercem efeitos anti-inflamatórios potentes através da redução de citocinas pró-inflamatórias, melhoram a função das glândulas de Meibômio responsáveis pela secreção de lipídios nas lágrimas, e reduzem a evaporação lacrimal. Estudos sugerem doses entre quinhentos e três mil miligramas diários de EPA e DHA combinados, sendo que formulações de triglicerídeos reesterificados demonstram biodisponibilidade superior comparada a ésteres etílicos comumente encontrados em suplementos de balcão. Importante ressaltar que a formulação específica influencia significativamente a eficácia terapêutica.
Quando suspeitar de deficiências nutricionais como causa de olho seco?
Embora o uso excessivo de telas contribua para olho seco através de redução da frequência de piscar, certas situações sugerem fortemente deficiências nutricionais subjacentes. Pacientes com olho seco refratário a colírios lubrificantes, anti-inflamatórios tópicos como ciclosporina ou lifitegrast, e plugues punctais devem investigar possíveis deficiências vitamínicas, especialmente se apresentam fatores de risco como dieta restritiva, cirurgia bariátrica prévia, doenças de malabsorção ou uso prolongado de inibidores de bomba de prótons.
Sintomas associados como cegueira noturna, fadiga inexplicável, neuropatia periférica, ou condições autoimunes como síndrome de Sjögren aumentam a probabilidade de deficiências nutricionais contribuindo para o olho seco. Dosagens séricas de vitaminas A, D e B12, além de perfil lipídico com foco em ômega-3, podem identificar deficiências tratáveis. É fundamental evitar megadoses sem orientação profissional, pois vitaminas lipossolúveis como A e D podem causar toxicidade quando consumidas em excesso. Para avaliação apropriada de sintomas persistentes de olho seco e investigação de possíveis deficiências nutricionais, consulte sempre um oftalmologista ou médico especialista em doenças da superfície ocular.









