Após os 75 anos, os valores considerados normais de pressão arterial seguem os mesmos parâmetros gerais utilizados para adultos, ou seja, abaixo de 130/80 mmHg segundo diretrizes mais recentes, embora estudos anteriores tolerassem valores até 140/90 mmHg. A hipertensão nessa faixa etária afeta aproximadamente 75% das pessoas e requer atenção especial, pois níveis elevados aumentam significativamente o risco de complicações cardiovasculares como infarto, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca, problemas que se tornam mais frequentes com o envelhecimento.
Valores de pressão arterial após os 75 anos
Embora durante muitos anos tenha se acreditado que idosos acima de 75 anos poderiam manter pressões arteriais mais elevadas sem riscos, as evidências científicas atuais mostram que metas mais rigorosas trazem benefícios importantes. Valores ideais devem ficar abaixo de 130/80 mmHg, sendo que pressões a partir de 140/90 mmHg já caracterizam hipertensão arterial. A pressão sistólica, que é o primeiro número da medição, tende a aumentar com a idade devido à perda de elasticidade das artérias.
É importante destacar que a hipertensão sistólica isolada, quando apenas a pressão máxima está elevada enquanto a mínima permanece normal ou até baixa, é o padrão mais comum em idosos muito idosos. Essa condição merece tratamento adequado, pois está fortemente associada a eventos cardiovasculares graves e deve ser monitorada regularmente por um médico.
Quando valores elevados se tornam preocupantes?
Pressões arteriais consistentemente acima de 140/90 mmHg representam risco aumentado e exigem intervenção médica. Em idosos após os 75 anos, mesmo pequenas elevações podem ter consequências significativas. Valores acima de 160/100 mmHg caracterizam hipertensão de estágio mais avançado e aumentam substancialmente o risco de complicações como derrame cerebral, que é particularmente devastador nessa faixa etária.
Sintomas como dores de cabeça frequentes, tontura, visão embaçada, falta de ar e dor no peito não devem ser ignorados, pois podem indicar que a pressão está descompensada. Entretanto, a hipertensão frequentemente não apresenta sintomas óbvios, sendo fundamental realizar medições regulares mesmo na ausência de queixas. A medição deve ser feita tanto sentado quanto em pé, pois idosos podem apresentar quedas bruscas de pressão ao levantar.

Estudo científico comprova benefícios do controle rigoroso em idosos
Um marco importante na compreensão do tratamento da hipertensão em idosos foi o estudo SPRINT, especialmente sua análise do subgrupo de participantes com 75 anos ou mais. A pesquisa liderada por Williamson e colaboradores, publicada na revista JAMA em 2016, avaliou 2.636 adultos com idade igual ou superior a 75 anos, comparando tratamento intensivo com meta de pressão sistólica abaixo de 120 mmHg versus tratamento padrão com meta abaixo de 140 mmHg.
Segundo o estudo publicado na JAMA, o grupo que recebeu tratamento intensivo apresentou redução de 34% nas doenças cardiovasculares e 33% na mortalidade total quando comparado ao grupo com tratamento padrão. Esses benefícios foram observados mesmo entre os participantes mais frágeis e com velocidade de caminhada reduzida, sem aumento significativo de quedas ou eventos adversos graves. Os resultados desafiaram o paradigma anterior de que idosos muito idosos deveriam manter pressões arteriais mais elevadas, demonstrando que o controle rigoroso é seguro e benéfico nessa população.
Principais fatores de risco e complicações
Diversos fatores aumentam o risco de hipertensão e suas complicações em idosos após os 75 anos. O próprio envelhecimento causa rigidez das artérias, o que naturalmente eleva a pressão sistólica. Outros fatores incluem histórico familiar de hipertensão, obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de sal e estresse crônico.
ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL
A hipertensão é o principal fator de risco para AVC e sequelas neurológicas.
INSUFICIÊNCIA CARDÍACA
O esforço constante pode levar ao enfraquecimento do coração.
DOENÇA RENAL CRÔNICA
Pode comprometer progressivamente a função dos rins.
PROBLEMAS DE VISÃO
Pode lesar os vasos da retina, causando perda visual.
DECLÍNIO COGNITIVO
Associada a maior risco de demência e perda de memória.
Cuidados especiais no controle da pressão
O tratamento da hipertensão em idosos muito idosos requer abordagem individualizada e cuidados específicos. A escolha dos medicamentos deve considerar outras condições de saúde presentes, como diabetes, doença renal ou problemas cardíacos. Diuréticos, bloqueadores dos canais de cálcio e inibidores da enzima conversora são frequentemente utilizados, sempre com ajuste gradual das doses para evitar quedas bruscas de pressão.
Mudanças no estilo de vida complementam o tratamento medicamentoso. Reduzir o consumo de sal para menos de 5 gramas por dia, manter peso saudável, praticar atividade física regular adaptada às limitações individuais e controlar o estresse são medidas fundamentais. A monitorização domiciliar da pressão arterial também é recomendada, permitindo acompanhamento mais frequente e detecção precoce de alterações. Se você tem 75 anos ou mais e apresenta pressão arterial elevada ou sintomas relacionados, procure orientação médica especializada para avaliação completa e tratamento adequado, garantindo melhor qualidade de vida e prevenção de complicações graves.









