O zumbido no ouvido, conhecido cientificamente como tinnitus, está intimamente relacionado ao sono, uma das funções mais essenciais do organismo. Pesquisas recentes revelam que pessoas com zumbido frequentemente apresentam distúrbios do sono, e esse ciclo pode se tornar vicioso, com a má qualidade do sono agravando os sintomas e vice-versa. Compreender essa conexão oferece não apenas esperança para novos tratamentos, mas também esclarece por que o zumbido pode ser mais intenso em determinados períodos do dia e como o descanso adequado pode aliviar temporariamente esse incômodo persistente.
Como o sono profundo pode aliviar o zumbido?
Durante o sono profundo, também chamado de sono não-REM, o cérebro produz ondas espontâneas de atividade que parecem suprimir a hiperatividade cerebral responsável pelo zumbido. Neurocientistas da Universidade de Oxford descobriram que essas ondas cerebrais podem mascarar temporariamente os sinais que geram a percepção do som fantasma. Quando entramos nas fases mais profundas do sono, a mesma área cerebral envolvida no tinnitus é regulada naturalmente.
Essa descoberta explica por que muitas pessoas relatam que o zumbido diminui ou desaparece completamente durante o sono, retornando ao acordar. O sono profundo age como um regulador natural, diminuindo a excitabilidade excessiva dos circuitos auditivos no cérebro que causam a percepção do zumbido constante.
Estudo científico comprova relação entre apneia do sono e zumbido
A conexão entre distúrbios respiratórios do sono e zumbido tem sido amplamente investigada pela comunidade científica. Segundo estudo populacional de caso-controle publicado na revista The Laryngoscope, pessoas com apneia do sono apresentam risco significativamente maior de desenvolver zumbido.
A pesquisa analisou 21.798 pacientes de meia-idade e idosos diagnosticados com zumbido e 108.990 controles sem a condição. Os resultados demonstraram que distúrbios do sono, especialmente a apneia obstrutiva, estão fortemente associados ao desenvolvimento de tinnitus. Uma das teorias principais para explicar essa relação está relacionada à perda de oxigênio que ocorre durante episódios de apneia. Quando uma pessoa para de respirar durante o sono, o nível total de oxigênio no corpo diminui, o que pode danificar células delicadas do ouvido interno, resultando em zumbido crônico.

Causas e fatores que intensificam o zumbido
O zumbido raramente tem uma causa única, sendo geralmente resultado de múltiplos fatores que se combinam:
RUÍDOS ALTOS
Sons intensos podem danificar as células ciliadas do ouvido interno, causando zumbido temporário ou permanente.
PERDA AUDITIVA
O envelhecimento natural deteriora estruturas do ouvido, aumentando a percepção de sons fantasmas.
CIRCULAÇÃO
Hipertensão e má circulação podem afetar o fluxo sanguíneo para o ouvido interno, agravando o zumbido.
ESTRESSE E ANSIEDADE
Estados emocionais alterados intensificam a percepção do zumbido e dificultam o relaxamento.
MEDICAMENTOS
Alguns antibióticos, anti-inflamatórios e diuréticos podem ser ototóxicos, causando ou agravando o tinnitus.
SLEEP
Insônia e apneia criam um ciclo que piora o sono e intensifica o zumbido.
O ciclo vicioso entre zumbido e má qualidade do sono
O zumbido dificulta o adormecer porque se torna mais perceptível em ambientes silenciosos, exatamente quando tentamos relaxar para dormir. Essa dificuldade em iniciar o sono leva à privação de descanso, que por sua vez aumenta a vulnerabilidade ao estresse. Como o estresse é um dos fatores mais potentes para agravar o zumbido, cria-se um círculo vicioso difícil de romper sem intervenção adequada.
Pessoas com zumbido crônico frequentemente relatam que a falta de sono torna o som mais intenso e incômodo no dia seguinte. Essa relação bidirecional sugere que melhorar a qualidade do sono pode ser uma estratégia terapêutica importante para quem sofre com tinnitus.
Estratégias para melhorar o sono e reduzir o zumbido
Implementar hábitos saudáveis de sono pode ajudar a quebrar o ciclo entre zumbido e insônia:
- Use ruído branco ou sons ambientes: ventiladores, aplicativos de sons da natureza ou máquinas de ruído branco mascaram o zumbido e facilitam o adormecer
- Mantenha horários regulares: deitar e acordar nos mesmos horários todos os dias regula o relógio biológico
- Evite estimulantes à noite: cafeína, nicotina e álcool podem piorar tanto o zumbido quanto a qualidade do sono
- Pratique técnicas de relaxamento: meditação, respiração profunda e relaxamento muscular progressivo reduzem o estresse antes de dormir
- Crie um ambiente adequado: quarto escuro, silencioso e com temperatura confortável favorece o sono profundo
- Limite telas antes de dormir: a luz azul de celulares e computadores interfere na produção de melatonina
- Considere terapia sonora: aparelhos específicos emitem sons suaves que ajudam a reduzir a percepção do zumbido
Quando procurar ajuda profissional?
Embora o zumbido seja comum e muitas vezes inofensivo, em alguns casos pode indicar problemas de saúde que necessitam atenção médica. Procure um otorrinolaringologista se o zumbido for súbito, intenso, acompanhado de tontura, perda auditiva ou se afetar significativamente sua qualidade de vida. Especialistas podem investigar causas tratáveis, como infecções, acúmulo de cera, problemas na articulação da mandíbula ou distúrbios circulatórios.
Para casos relacionados a distúrbios do sono, um médico especialista em sono pode realizar exames como a polissonografia para identificar apneia ou outros problemas respiratórios noturnos. O tratamento adequado desses distúrbios pode resultar em melhora significativa tanto do sono quanto do zumbido. Nunca hesite em buscar orientação médica profissional, pois abordagens personalizadas e baseadas em evidências podem proporcionar alívio considerável e melhorar substancialmente sua qualidade de vida.









