A alergia a esmalte é uma reação de hipersensibilidade do sistema imunológico a um ou mais componentes químicos presentes nos esmaltes de unha, causando uma condição conhecida como dermatite de contato alérgica.
Segundo a pesquisa (Allergy to hypoallergenic nail polish: does this exist?) publicada pela Anais Brasileiros de Dermatologia, a substância mais frequentemente responsável por essas reações é a resina de tosylamida-formaldeído (TSFR), que é positiva em aproximadamente 6,6% dos testes de contato realizados. Os sintomas geralmente aparecem não apenas nos dedos e unhas, mas também em áreas que tocamos frequentemente, como pálpebras, pescoço, boca e queixo, podendo causar vermelhidão, coceira, inchaço e bolhas na pele.
O que é a alergia a esmalte?
A alergia a esmalte é uma forma de dermatite de contato alérgica que ocorre quando o sistema imunológico reconhece determinados ingredientes do esmalte como substâncias prejudiciais e desencadeia uma resposta inflamatória para combatê-las. Diferente de uma irritação simples que acontece logo após o contato com um produto irritante, a alergia se desenvolve gradualmente com exposições repetidas ao longo do tempo, num processo chamado sensibilização.
Uma característica importante dessa alergia é que os componentes dos esmaltes são hidrossolúveis, ou seja, se dissolvem em água. Por isso, a reação não é desencadeada imediatamente após a aplicação do esmalte, mas sim quando há contato com água após o produto ter secado, liberando as substâncias alergênicas que então entram em contato com a pele.

Quais são os sintomas da alergia a esmalte?
Os sintomas da alergia a esmalte variam de pessoa para pessoa e podem aparecer em diferentes áreas do corpo, não apenas nas mãos. Segundo o DermNet NZ, as reações aparecem tipicamente nas áreas que tocamos com frequência após aplicar o esmalte, sendo as pálpebras, o pescoço, a boca e o queixo locais muito comuns de manifestação da alergia.
As reações podem surgir algumas horas após o contato ou demorar um ou dois dias para se manifestar. Em casos mais graves, pode haver danos nas unhas como onicólise (descolamento da unha), paroniquia (inflamação ao redor da unha) ou distrofias ungueais que causam alterações na textura e aparência das unhas.
Sintomas mais comuns da alergia a esmalte
O que causa a alergia a esmalte?
A alergia a esmalte é causada por componentes químicos específicos presentes na fórmula dos esmaltes comuns, em gel e até mesmo nos chamados esmaltes hipoalergênicos. A resina de tosylamida-formaldeído (TSFR) é historicamente o alérgeno mais importante, sendo utilizada desde 1939 para promover durabilidade, aderência e brilho aos esmaltes de unha.
Segundo o estudo (Allergic contact dermatitis to toluene-sulfonamide-formaldehyde resin: still relevant?) publicado pela Anais Brasileiros de Dermatologia sobre a prevalência da alergia a TSFR no Brasil, o país é o segundo maior consumidor de esmaltes no mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, e aproximadamente 27% das mulheres brasileiras trocam a cor do esmalte pelo menos uma vez por semana. Essa alta frequência de uso contribui para o desenvolvimento de sensibilização e alergia ao longo do tempo.
Principais substâncias alergênicas em esmaltes:
- Resina de tosylamida-formaldeído (TSFR): o alérgeno mais comum em esmaltes tradicionais
- HEMA (hidroxietil metacrilato): presente em esmaltes em gel e unhas de acrílico
- Metacrilatos e acrilatos: usados para aderência e durabilidade em produtos profissionais
- Formaldeído: utilizado como conservante e endurecedor de unhas
- Tolueno: solvente que ajuda a obter um acabamento suave e brilhante
- Ftalatos (DBP): plastificante que mantém a flexibilidade do esmalte

Como é feito o diagnóstico da alergia a esmalte?
O diagnóstico da alergia a esmalte é realizado principalmente através do teste de contato (patch test), um exame dermatológico que identifica quais substâncias específicas estão causando a reação alérgica. O procedimento consiste em aplicar pequenos adesivos contendo diferentes alérgenos potenciais nas costas do paciente, onde ficam colados por 48 horas.
Durante uma consulta de retorno, o dermatologista remove os adesivos e examina cuidadosamente a pele em cada local de aplicação para verificar se há sinais de reação alérgica como vermelhidão, inchaço ou formação de bolhas. Em alguns casos, as reações podem aparecer somente após uma semana da aplicação do teste. Uma vez identificada a substância causadora da alergia, o médico orienta sobre quais produtos devem ser evitados, verificando os rótulos e composições dos esmaltes disponíveis no mercado.
A alergia a esmalte tem cura?
A alergia a esmalte não tem cura, mas pode ser completamente controlada através da identificação e evitação das substâncias que causam a reação. Uma vez que uma pessoa desenvolve sensibilização a um componente químico específico do esmalte, o sistema imunológico continuará reconhecendo essa substância como prejudicial e reagindo a ela sempre que houver exposição, tornando a alergia uma condição permanente.
O tratamento dos sintomas agudos inclui a suspensão imediata do uso de esmaltes, remoção cuidadosa do produto das unhas, aplicação de cremes corticoides tópicos prescritos pelo dermatologista para reduzir a inflamação e coceira, uso de hidratantes sem fragrância para restaurar a barreira da pele e, em casos graves, corticoides orais por curto período. A prevenção é essencial e inclui escolher esmaltes livres do alérgeno identificado, realizar teste de sensibilidade antes de usar um produto novo, usar luvas de nitrilo ao aplicar ou remover esmaltes se você for manicure ou fazer suas próprias unhas, e buscar orientação médica profissional sempre que surgirem sintomas suspeitos de alergia.









