A azia é uma sensação de queimação retroesternal que se estende do estômago até a garganta, ocorrendo quando o ácido gástrico reflui para o esôfago devido à hipotonia do esfíncter esofágico inferior. Embora seja comum após refeições copiosas, a persistência desse desconforto pode indicar a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE), condição que, segundo evidências clínicas, exige manejo para evitar a metaplasia de Barrett e outras complicações teciduais graves.
Quais são os sinais mais comuns de queimação?
O sintoma clássico é a pirose, uma queimação intensa que ocorre pela exposição da mucosa esofágica ao conteúdo gástrico com pH inferior a 4. No estudo “Gastroesophageal Reflux Disease (GERD)“, demonstra-se que o epitélio escamoso do esôfago é vulnerável à pepsina e ao ácido, gerando a dor característica.
Além da dor, a regurgitação ácida é um marcador clínico de falha mecânica na barreira antirrefluxo. Estudos fisiológicos indicam que o retorno do material gástrico ocorre frequentemente durante relaxamentos transitórios do esfíncter, sendo agravado por posições decúbito (deitado), o que facilita o gradiente de pressão favorável ao refluxo.
Como identificar sintomas atípicos de refluxo?
A azia pode se manifestar de forma extraesofágica, afetando o sistema respiratório e a cavidade oral sem necessariamente apresentar queimação no peito. O ácido gástrico em contato com a laringe pode causar inflamação crônica, resultando em sintomas que muitas vezes são diagnosticados tardiamente por serem confundidos com alergias ou infecções.
Abaixo, listamos as manifestações atípicas:
O que fazer para aliviar a azia imediatamente?
Para alívio agudo, os antiácidos neutralizam a acidez gástrica através de reações químicas que elevam o pH do lúmen esofágico. De acordo com o guia de medicamentos da ANVISA, compostos à base de alginato de sódio são particularmente eficazes, pois formam uma barreira física (balsa) que flutua sobre o conteúdo gástrico, impedindo fisicamente o refluxo.
Outra medida não farmacológica imediata é o ajuste postural para evitar a compressão gástrica. Manter-se em pé ou sentado ajuda a manter o ácido abaixo da transição esofagogástrica pela ação da gravidade, enquanto o estímulo da salivação (através de gomas de mascar sem açúcar) promove a lavagem ácida e o tamponamento pelo bicarbonato salivar.

Quais hábitos ajudam a prevenir novas crises?
A prevenção a longo prazo foca na redução da pressão intra-abdominal e na estabilidade do esfíncter. O estudo “Lifestyle Intervention in Gastroesophageal Reflux Disease” confirma que a cessação do tabagismo e a perda de peso são os fatores que apresentam maior impacto na resolução dos sintomas.
Para evitar a reincidência, as seguintes intervenções comportamentais são preconizadas:
- Fracionamento dietético: Refeições menores reduzem a distensão gástrica e o relaxamento do esfíncter.
- Higiene do sono: Elevar a cabeceira da cama em 15 cm e aguardar 3 horas após comer para deitar.
- Restrição de gatilhos: Reduzir chocolate, cafeína e gorduras que diminuem a pressão do esfíncter.
- Controle ponderal: A obesidade aumenta o gradiente de pressão gastresofágica, favorecendo o refluxo.
Quando a azia indica necessidade de exames?
A persistência da azia por mais de duas vezes por semana caracteriza a DRGE e exige investigação para descartar lesões na mucosa. O estudo “Guidelines for the diagnosis and management of gastroesophageal reflux disease: an evidence-based consensus” recomenda a endoscopia digestiva alta para pacientes com sintomas refratários ou sinais de alerta.
A presença de disfagia (dificuldade para engolir), anemia ou perda de peso inexplicada são indicativos de complicações como estenose esofágica ou adenocarcinoma. Nestes casos, o diagnóstico precoce é vital para o manejo terapêutico adequado e o monitoramento de possíveis alterações displásicas no tecido esofágico.
Este conteúdo possui caráter informativo e não substitui a consulta médica. Caso os sintomas de azia sejam persistentes, recorrentes ou acompanhados de dor intensa, busque orientação médica profissional imediatamente para diagnóstico e tratamento adequado.









