Sentir dor no ombro é uma queixa comum e, na maioria das vezes, está ligada a tendinite ou tensão muscular. No entanto, quando o desconforto vem acompanhado de falta de ar, enjoo e cansaço sem causa aparente, especialmente em mulheres, o sinal pode estar apontando para o coração. O infarto feminino costuma se manifestar de forma diferente do masculino, com sintomas atípicos que dificultam o diagnóstico rápido. Reconhecer essas diferenças é fundamental para agir a tempo e evitar complicações graves.
Por que a dor no ombro pode indicar problema no coração?
Durante um infarto, a dor originada no coração pode irradiar para outras regiões do corpo por meio das mesmas vias nervosas. Em mulheres, é comum que esse desconforto se manifeste nos ombros, na mandíbula, nas costas ou no braço direito, e não apenas no peito, como acontece com frequência nos homens.
Essa dor referida costuma ser difusa, em forma de peso ou aperto, e nem sempre é intensa. Justamente por lembrar uma tendinite ou uma tensão muscular, muitas vezes passa despercebida e retarda o atendimento adequado.
Como o infarto feminino se diferencia do masculino?
As artérias coronárias das mulheres são naturalmente mais estreitas, e o infarto agudo do miocárdio tende a ocorrer em vasos de menor calibre. Isso faz com que a dor seja menos intensa, mais difusa e frequentemente confundida com problemas digestivos ou ansiedade.
Além disso, fatores como menopausa precoce, uso combinado de anticoncepcional com tabagismo e complicações na gravidez, como pré-eclâmpsia, aumentam o risco cardiovascular feminino. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia, a mortalidade por infarto em mulheres jovens tem crescido de forma preocupante nas últimas décadas.

Quais sintomas atípicos merecem atenção redobrada?
Além da dor no ombro, o infarto feminino pode se manifestar por meio de sinais discretos e facilmente confundidos com outras condições. Ficar atenta a esses sintomas pode fazer a diferença entre a vida e complicações graves:
- Falta de ar súbita, mesmo em repouso ou em atividades leves;
- Enjoo, vômitos ou desconforto na boca do estômago, semelhante a azia ou gastrite;
- Cansaço intenso e sem causa aparente, muitas vezes surgindo dias antes do evento;
- Dor ou peso irradiado para ombro, mandíbula, pescoço ou costas;
- Suor frio, palidez e tontura;
- Sensação de ansiedade intensa ou de morte iminente;
- Palpitações e batimentos cardíacos irregulares.
A presença combinada desses sintomas em mulheres, especialmente após os 50 anos ou com fatores de risco cardiovascular, exige atendimento médico de urgência imediato.
O que um estudo científico mostra sobre o infarto em mulheres?
As diferenças entre homens e mulheres no quadro clínico do infarto têm sido amplamente investigadas pela literatura cardiológica. Segundo o estudo Diferenças entre os Sexos no Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnivelamento do Segmento ST, análise retrospectiva publicada nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, as mulheres apresentaram significativamente mais sintomas atípicos, menos dor torácica clássica e maior frequência de choque cardiogênico na chegada ao hospital.
Os autores destacam que o tempo até a reperfusão coronária foi maior nas pacientes do sexo feminino, o que se refletiu em taxas de mortalidade intra-hospitalar e nos primeiros meses mais elevadas. O reconhecimento precoce dos sinais é, portanto, uma das principais estratégias para melhorar o prognóstico.

Como agir diante da suspeita de infarto?
Diante da possibilidade de um ataque cardíaco, o tempo é fator decisivo para preservar o músculo cardíaco e reduzir sequelas. Algumas atitudes práticas devem ser adotadas de forma imediata:
- Ligar imediatamente para o SAMU pelo número 192, mesmo diante de sintomas sutis persistentes;
- Manter a pessoa sentada, em posição confortável, com as roupas afrouxadas;
- Evitar oferecer alimentos, água ou medicamentos por conta própria enquanto aguarda o socorro;
- Observar sinais vitais e, em caso de parada cardíaca, iniciar a massagem cardíaca até a chegada da equipe médica;
- Informar aos socorristas todos os sintomas percebidos, incluindo dor no ombro, enjoo e falta de ar;
- Não dirigir até o hospital sozinha diante da suspeita, para evitar risco de perda de consciência no caminho.
A prevenção também é essencial e envolve controle da pressão arterial, do colesterol e da glicemia, além de não fumar, praticar atividade física regular e manter acompanhamento cardiológico periódico, especialmente após a menopausa.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um médico cardiologista qualificado. Diante de sintomas suspeitos de infarto, procure atendimento de emergência imediatamente.









