A relação entre café MASLD, nome atual para a doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica, ganhou um dado interessante em 2026. Em uma coorte italiana, o menor risco apareceu entre pessoas que tomavam mais café ao dia, especialmente de 4 a 6 xícaras pequenas no estilo italiano.
O que é MASLD
MASLD é a sigla usada para a gordura no fígado relacionada a fatores metabólicos, como excesso de peso, resistência à insulina, diabetes tipo 2, pressão alta ou alterações no colesterol e triglicerídeos.
Ela substitui o termo antigo “gordura no fígado não alcoólica” em muitos contextos científicos. O foco passou a ser a disfunção metabólica que acompanha o acúmulo de gordura hepática.

O que o estudo científico mostrou
Para responder quantas xícaras poderiam estar associadas a menor risco, os pesquisadores analisaram uma população do sul da Itália, onde o café costuma ser consumido em porções pequenas, principalmente como espresso ou moka.
Segundo o estudo de coorte populacional Italian style coffee consumption and metabolically dysfunctional-associated steatotic liver disease (MASLD): a cohort population study in Southern Italy, publicado em 2026 na Frontiers in Nutrition, 1.079 adultos consumidores de café foram avaliados no estudo Nutrihep.
Em comparação com quem tomava menos de 1 xícara por dia, o risco ajustado de MASLD foi menor com 1, 2, 3 e 4 a 6 xícaras diárias. O melhor resultado apareceu em 4 a 6 xícaras por dia, com odds ratio de 0,407, sugerindo redução aproximada de 59,3% nas chances de MASLD.
Por que o café poderia proteger
O café contém compostos bioativos que podem influenciar vias ligadas ao metabolismo do fígado, inflamação e estresse oxidativo. No estudo italiano, o preparo também importa, já que espresso e moka concentram substâncias diferentes de cafés filtrados.
- Cafeína, relacionada ao gasto energético e metabolismo de gorduras;
- Ácidos clorogênicos, com possível ação antioxidante;
- Diterpenos, mais presentes em alguns cafés não filtrados;
- Melanoidinas, formadas durante a torra;
- Trigonelina, estudada por possíveis efeitos metabólicos;
- Polifenóis, associados à saúde metabólica.
Esses mecanismos ainda não provam que o café sozinho previne MASLD. Eles ajudam a explicar uma associação que precisa ser interpretada junto com dieta, peso, atividade física e controle de glicose.
Quantas xícaras fazem sentido
No estudo, uma xícara italiana foi padronizada em cerca de 40 ml, muito menor que muitos copos de café consumidos no Brasil. Por isso, 4 a 6 xícaras italianas não equivalem necessariamente a 4 a 6 canecas grandes.
- 1 xícara ao dia já apareceu associada a menor risco;
- 2 xícaras mantiveram associação semelhante;
- 3 xícaras também se associaram a menor risco;
- 4 a 6 xícaras pequenas tiveram o melhor resultado;
- Adicionar muito açúcar pode reduzir o benefício metabólico;
- Excesso pode piorar ansiedade, refluxo ou insônia.
Para entender sintomas, causas e tratamento, veja também o conteúdo do Tua Saúde sobre gordura no fígado.

Como interpretar sem exageros
O achado sugere que o café, especialmente em porções pequenas e sem excesso de açúcar, pode fazer parte de uma rotina protetora para o fígado. Porém, por ser um estudo observacional, ele mostra associação e não prova causa direta.
Quem tem MASLD deve priorizar perda de peso quando indicada, alimentação equilibrada, atividade física, controle do diabetes e acompanhamento médico. O café pode ser um aliado, mas não substitui o tratamento nem corrige sozinho a gordura no fígado.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









